Em janeiro de 2018, o canal Viva iniciou a exibição de "Os Trapalhões", a partir da temporada de 1988... Algum tempo depois, nosso colega de rede, humorista e fornecedor de DVDs, Pancada, começou a trabalhar forte na digitalização das gravações em VHS das reprises do programa mostradas pela Globo na faixa matutina entre 1996 e 1998... Sendo em que em março de 1997, a reapresentação começou a ser feita em ordem cronológica, desde a estreia da atração, em janeiro de 1977 - a qual em São Paulo foi até 1998... Ao comparar os programas digitalizados com as apresentações do Viva, Pancada ficou impressionado com o alto número de quadros do final dos anos 1970 que foram refeitos em 1988 e também em 1989... Não que ele não tivesse visto esse fenômeno antes, mas, enfim... Na série clássica de Chaves, produzida entre 1973 e 1979, muitas histórias, inclusive as sagas, tem duas ou três versões diferentes... Isso aconteceu principalmente devido a combinação de três fatores: mudanças no elenco, a falta de concorrência da Televisa no mercado mexicano e como Chespirito escrevia todos os roteiros, a remuneração dos autores era maior que a dos atores, repetir histórias aliviava um pouco a carga de trabalho... Quanto a "Os Trapalhões", a temporada de 1988, a primeira com direção geral de Wilton Franco na Globo, no começo do ano foram exibidos programas com seleções de quadros antigos, privilegiando os anos iniciais da atração... Assim, é possível que essas reprises tenham influenciado a decisão de encenar esquetes novamente, lembrando que os quadros eram escritos por um grupo grande de redatores, e em 1988, a redação final era de Renato Aragão e do diretor Wilton Franco... Este levantamento selecionou 48 quadros que foram refeitos nas temporadas de 1988 e 1989 de "Os Trapalhões"... A maioria das segundas versões é de 1988 e o número diminui no ano seguinte porque a prioridade da direção passou a ser a realização de especiais temáticos... Entre os esquetes originais, quase todos foram feitos antes de 1980, muitos em 1977 e 1978, as primeiras temporadas dos Trapalhões na Globo, facilmente identificáveis pelos cabelos grisalhos e as costeletas à Tio Patinhas de Renato Aragão... Ficaram de fora alguns "remakes" "crônicos"- por exemplo, "Abelhinha Quero Mel" - e quadros com situações similares, mas com roteiros completamente diferentes - caso do esquete do bandido do Velho Oeste que bebeu e não quer pagar a conta, que tem versões com Maurício do Valle e Roberto Guilherme...
Filhas Que São Dose: Na versão original, de 1979, Didi era o funcionário a quem o patrão tentava convencer a “associar-se” com uma de suas filhas... Didi, por sua vez, a todo momento caía com uma revista no chão e dizia com sinceridade ao chefe que os negócios estavam indo muito bem, mas que ele estava muito mal de filhas... No “remake”, Zacarias é o funcionário que repete a todo momento ao patrão, vivido por Sérgio Mamberti, que apesar da proposta de sociedade na empresa, as filhas são dose... O final das duas versões é semelhante: o funcionário deixa pela empregada do patrão...
A Nova Vizinha: Didi e Dedé descobrem que tem uma nova vizinha e tentam conhecer ela melhor colocando cadeiras na calçada para conversar, pelo menos enquanto o pai dela permitir... Na primeira versão, de 1977, a vizinha é interpretada por Bete Mendes, e no “remake”, por Narjara Turetta, e a negociação conta com o reforço de Mussum e Zacarias... Em 1988, o pai é vivido por Colé Santana, tio de Dedé, o que motivou um caco do sobrinho, que chama o pai da moça de tio enquanto ele nega o parentesco...
Chave do Jipe: Na primeira versão, de 1978, os policiais da SUAT aproveitam que o comandante está dormindo e tentam pegar a chave de seu carro... No “remake” de 1988, quem vai atrás da chave é a tropa do Sargento Pincel, entrando no quarto do comandante interpretado por Jorge Cherques... Entre as duas versões, há uma terceira, de 1985, na qual o jipe pertence ao Capitão Tomás – papel de Carlos Alberto de Nóbrega – que dorme tranquilamente com a “sócia” – a cargo de Catita Soares...
A Família da Moça: Didi é obrigado pelos familiares de sua “sócia” a sair da cama e se casar com ela... Na gravação original, de 1977, entre os parentes revoltados estavam Átila Iório, Francisco Di Franco e Ted Boy Marino... O “remake” de 1988 também tinha um elenco estelar: Arthur Costa Filho, Danton Jardim, Guilherme Corrêa, Selma Lopes e Stephan Nercessian...
Limpando o Terreno: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias trabalham forte na limpeza de um terreno em frente a um ponto de ônibus, arrumando encrenca quando começam a jogar entulho nas pessoas que esperavam pela condução... A versão de 1977 foi gravada em externa, na cidade cenográfica da Globo, na região de Barra de Guaratiba, no Rio... A regravação, em estúdio, mostra Mussum cantando uma paródia, surgida nas arquibancadas de futebol, do “jingle” de uma marca de biscoitos: “É hora do lanche, que hora tão feliz, queremos o forévis do juiz”...
Bebê Bobão: Didi se senta ao lado de uma ama de leite, esperando que amamente o bebê, ficando decepcionado quando ela usa uma mamadeira para alimentar a criança... Nas duas versões do esquete, de 1978 e 1988, a conversa de Didi com a ama - Wanda Moreno e Narjara Turetta - é interrompida por um garoto que vende doces e reclama da sovinice dele – na primeira, o vendedor é vivido por Alexandre Régis, que tinha 14 anos na época...
Pintores Aconselham o Casal: Didi e Mussum estão pintando a fachada de uma casa quando ouvem um casal discutindo e começam a dar palpites sobre a relação... No quadro original, exibido em um dos primeiros programas dos Trapalhões na Globo, em 1977, Dedé é o marido e Dilma Lóes a esposa, e Zacarias faz companhia aos "sócios"... No “remake” de 1988, o casal que discute a relação é feito por Felipe Wagner e Susana Vieira...
Medo de Barata: Na versão de 1978, é Didi quem se assusta com a barata depois de afugentar o rato que apavorou a vizinha... Já na gravação de 1988, é Dedé quem toma o susto...
Golpe do Bebê no Veterinário: Os quatro Trapalhões trabalhavam forte num consultório veterinário quando uma mulher comparece com um bebê numa cesta, dizendo que um deles é o pai – um golpe, naturalmente... O desfecho é o mesmo – um policial prende a chantagista – nas versões de 1977 e 1988 – na qual Inês Galvão faz a golpista...
Fiscalizando a Mala: Recém-chegado na cidade, Didi é obrigado a abrir sua mala e mostrar todo seu conteúdo duas vezes, para dois policiais... No quadro de 1977, gravado em estúdio, Carlos Kurt é um dos fiscais... Função exercida por Dino Santana e Iran Lima na versão de 1988, feita no palco do Teatro Fênix, no Rio de Janeiro... O “remake” tem um adendo no final, quando Tião Macalé pede fogo a Didi, que pensa se tratar de outro fiscal e o manda embora a bala...
Marinheiro Paquerador: O marujo Didi tenta “negociar” com uma garota, mas enfrenta forte resistência de seu irmão... No esquete original, de 1977, a garota é vivida por Esmeralda Barros, e no “remake” de 1988, por Cláudia Alencar... Que no quadro é irmã de Roberto Guilherme e neto de Heloísa Helena, que também não quer Didi por perto... O cenário das duas versões é o mesmo: uma casa com escada na porta... Na segunda, porém, Didi divide as pancadas que leva da garota com seu dublê, Baiaco...
Carregando a Garota: No esquete exibido em “Os Trapalhões – Especial” de 1977, a “sócia” de um homem que se exercitava na praia (interpretado por Aurimar Rocha) desmaia e ele pede a Didi, que brincava com seu cachorro Arquimedes, que a segure em seus braços enquanto vai pegar a chave do apartamento, que esqueceu na casa da mãe dela... Enquanto isso, Didi precisa explicar a um policial (papel de Antônio Pitanga) porque está carregando uma mulher... No “remake” feito em 1988, o homem está voltando “sóbrio” de uma noitada com a “sócia” – o casal é vivido por Ewerton de Castro e Nani Venâncio – e Didi precisa se explicar para Stênio Garcia, que faz o policial...
Viking Engessado: Para não trabalhar forte nos remos do barco viking, Didi tenta aplicar o golpe do gesso, mas o comandante da embarcação manda ele abrir a escotilha para saber se o mar está agitado... Carlos Kurt é o comandante viking no esquete de 1977 e Roberto Guilherme assume a função na regravação de 1988, que tem Jorge Lafond como tocador de tambor, marcando as remadas em ritmo de samba...
Correndo Atrás do Fisco: Didi faz a declaração de Imposto de Renda com o gerente do banco e descobre que tem direito a restituição... Então é por isso que ele se prontifica a ir atrás desse tal de fisco... No quadro de 1978, o gerente é Luiz Armando Queiroz, e no “remake” de 1988, a função é exercida por Isaac Bardavid...
Se Fosse No Dedé, Pegaria: Mussum e Zacarias tem receio de dizer a Dedé que foi traído pela “sócia” e Didi resolve a situação dizendo que numa briga uma cadeira passou dois dedos acima de sua cabeça – e se fosse ele, teria acertado em cheio... A diferença dos quadros de 1978 e 1988 é o cenário – no primeiro, é a casa de Dedé, no segundo, é uma praça, ambos montados em estúdio, sempre com Dedé lendo jornal - e Didi, que encontra Zacarias e Mussum acompanhado de sua "sócia"...
Carro Invisível: No esquete original, de 1978, Dedé mostra empolgado seu novo carro que só os inteligentes podem ver para a “sócia”... No “remake” de 1988, Didi é o vendedor de uma loja de carros importados que oferece o veículo a dupla Jane e Herondy... Esta versão foi gravada no palco, com plateia, e no final a dupla cantou “Dois Num Só Coração”... Na anterior, feita em estúdio, a paisagem de uma rua (no caso, a Rua Ferreira Viana, na região do Flamengo, no Rio de Janeiro; ao fundo pode-se ver o letreiro do Hotel Flórida, que existe até hoje, com o nome de Windsor Florida...) foi inserida por meio de um efeito de “chroma-key” - e se nota que um volume faz as vezes do carro...
Mendigo com Manequim: Na rua, Didi pede esmolas para sua “sócia” Jurema, que está deitada embaixo de um cobertor, e dois passantes discutem quem vai dar a maior contribuição... Depois que eles vão embora, Didi resolve ir mendicar em outro lugar, levando Jurema junto – na verdade, as pernas de um manequim... No original de 1978, os dois passantes são interpretados por Carlos Kurt e Dino Santana, e a nova versão conta com o também dublador Miguel Rosenberg...
Chorando por Jandira: Na versão de 1977, Zacarias tira o sono de Didi por causa da ausência de Jandira... Em 1988, quem não consegue dormir com o chororô de Zacarias é Dedé... No original, Jandira é uma cadela... No “remake”, é uma gata...
Fuzil Sem Dono: O comandante da SUAT (Átila Iório) quer saber qual é o soldado responsável pelos furtos que tem ocorrido no quartel, inclusive o do fuzil de “Ferrabrás Souza Dias”, cujas iniciais FSD foram confundidas com “Fuzil Sem Dono”... O quadro original, de 1978, é da fase que a paródia ao seriado policial estadunidense deu lugar a reedição dos esquetes da Legião Estrangeira, que Renato Aragão fazia na TV Excelsior, em 1965... E que depois se transformaram nos quadros do Sargento Pincel, caso do “remake” de 1988... Que foi acrescido de uma parte onde Pinça (Roberto Guilherme) tenta dar instrução a Didi, quer dizer, ao soldado 49, antes de prestar esclarecimentos ao comandante (Jorge Cherques)...
Guarda-Costas do Comendador: Didi trabalha forte para proteger a vida do comendador, já que será muito bem pago para isso... Em 1977, o contratante de Didi é Lutero Luiz, em 1988, Cláudio Cavalcante...
Torpedo Primeiro e Torpedo Segundo: Dedé, Mussum e Zacarias estudam para o exame do supletivo e Didi demonstra todo o seu conhecimento explicando que torpedo são dois, os imperadores Torpedo Primeiro e Torpedo Segundo... O texto das versões de 1978 e 1988 é exatamente o mesmo, sendo mantidos até os trocadilhos com Bilac e Cadillac, ou com Eisenhower e azinhave... No quadro orginal, há um “merchan” dos cadernos escolares com desenhos dos Trapalhões na capa...
A Noiva do Mecânico: A “sócia” de Didi leva seu pai para conhecê-lo no seu local de trabalho, uma oficina mecânica... No esquete de 1977, Didi discute com o futuro sogro, interpretado por Macedo Neto, pai da personagem de Sônia Mamede e acaba guinchado, literalmente, já que o quadro foi gravado em externa... No “remake” de 1988, a “sócia” e o pai, Cissa Guimarães e Percy Ayres, conversam debaixo do Fiat 147 que Didi está consertando, e acaba multado pelo futuro sogro, que trabalha no Detran...
Brigando pelo Casal: A versão original, do especial de 1977, mostra o mordomo Didi intermediando as farpas e as agressões dos dois “sócios” o dia inteiro, inclusive na cama... Na regravação de 1988, a ação se passa durante o jantar, e no final, o mordomo Zacarias mata os patrões – interpretados por Felipe Carone e Telma Reston...
Tinta Fresca: Didi precisa pintar o banco da praça e quando o homem que está sentado não quer sair, é pintado também... O banco de encosto alto é o mesmo nas versões de 1977 e 1988 – nesta, protagonizada por Mussum, Tony Tornado é coberto de tinta branca e recebe no pescoço uma placa de “Tinta Fresca”...






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