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| Os franceses reconheceram bem antes dos estadunidenses que Wagner Moura em O Agente Secreto é coisa nossa... |
Descemos na estação Chatelet do metrô de Paris um par de minutos depois do meio-dia de uma quarta feira que se apresentava ensolarada com céu azul e nuvens brancas quando embarcamos em Chateau Landon, estávamos a caminho da plataforma da linha D da RER para pegar o trem até Saint-Denis, pois nossa visita guiada ao Stade de France estava marcada para as 14 horas... A longa travessia de sete minutos entre a estação do metrô e a dos trens não tinha novidades, escada subindo, corredor, escada descendo, mulher pedindo esmola no corredor, esteira plana, a única coisa diferente do trajeto, o Le Kiosque du Primeur estava aberto, vendendo flores e frutas, escada descendo, esteira inclinada, outro acontecimento inesperado, o cartão Navigo que recarregamos em Chateau Landon não funcionou, tivemos de ir na máquina e comprar outro... Passamos a catraca e fomos na Relay comprar o “L’Equipe” do dia, na capa, o piloto de Fórmula-1 argelino Isack Hadjar, que será o companheiro de equipe de Max Verstappen na Red Bull Racing na próxima temporada da categoria, lembramos de levar também uma revista sobre os 130 anos da invenção do cinema pelos irmãos Lumiere, com um bonde elétrico na capa, e realmente, para nossa surpresa e satisfação, encontramos o professor Marcelo, que se mudou de São Paulo para Recife em 1977... Na verdade, nós vimos o personagem de Wagner Moura no filme “O Agente Secreto” na capa de duas revistas, a “Cahiers du Cinema”, simplesmente a mais importante publicação de crítica cinematográfica em todo o mundo, numa edição de retrospectiva, “Top 2025”, “Une anée dans le retroviseur”, em que Marcelo usa uma camisa fina de gola escancarada que combina com o calor pernambucano, porém não tem quase nada a ver com o frio parisiense, a outra revista é a “Positif”, que estampa em sua capa a célebre cena do orelhão, com outra camisa pouco adequada ao clima da capital francesa... Ficamos pensando nas razões desse encontro, primeiramente, o reconhecimento dos atributos do filme de Kleber Mendonça Filho e do ator pelos franceses, premiado quatro vezes no Festival de Cannes, melhor ator, melhor diretor, prêmio da crítica internacional e da Associação Francesa de Cinema de Arte e Ensaio, se antecipando aos estadunidenses e a vitória em duas categorias no Globo de Ouro, melhor filme em língua não-inglesa e melhor ator, ou seja, é coisa nossa, no entanto, na época da ditadura, em que ocorre a ação do filme, Paris era um destino frequente dos brasileiros que eram perseguidos e na capital pernambucana Marcelo era constantemente espionado pelos órgãos de repressão do regime... Sendo assim, decidimos realmente fazer do professor o nosso companheiro de viagem, quer dizer, compramos as duas revistas, engajando ele em uma missão sigilosa, mudar o resultado da final da Copa do Mundo de 1998, jogada em 12 de julho daquele ano no Stade de France, quando a França venceu o Brasil por 3 a 0 e a Seleção Brasileira viu o sonho do penta ser adiado por quatro anos... Chegamos na plataforma da linha D às 12h25, o próximo trem direto para Saint Denis sairia em 45 minutos, sentamos num banco, logo tínhamos a companhia de um grupo de rapazes negros, pelas sacolas que carregavam, tinham acabado de fazer o “tour” do Parc des Princes, o estádio do Paris Saint Germain, que fomos na semana anterior, em poucos minutos eles embarcaram, chegaram outras pessoas nos bancos, e para aliviar a espera, fomos fotografar o músico que tocava violão em outra plataforma...Hoje foi o primeiro dia que usufruímos do café da manhã do hotel, anteriormente sempre havia algum compromisso marcado na madrugada, quando descíamos para o saguão e avistavamos a cafeteria lotada, a experiência da vida toda como usuário do transporte público em São Paulo falava mais alto, para não chegar atrasado, saia mais cedo, e seguíamos para o acesso do metrô, mesmo sendo vizinho de porta do hotel e apesar da eficiência do sistema metroferroviário francês, desta vez, entretanto, o salão cheio não nos intimidou... Quando percebemos que poderíamos pegar qualquer trem que fosse na direção de Saint-Denis, entramos na composição de dois andares às 12h47, não estava cheio, no assento em frente, uma mulher com véu, fazemos fotos pela janela, há apenas uma estação entre Chatelet Les-Halles e Saint-Denis, a Gare Du Nord, por onde passamos 12h51, decidimos filmar o percurso em vídeo com o celular, nosso companheiro de viagem jamais poderia imaginar tamanho avanço tecnológico sendo usado sem risco aparente de punições, a paisagem alterna prédios comerciais, autopistas, fábricas e muros grafitados, porém a filmagem é inviabilizada pelo fato da estação ficar longe do estádio, ou seja, ele não aparece no vídeo... Desembarcamos do trem 12h57, pouca gente, plataforma vazia, subimos a escada e registramos a catenária da nossa composição e o trem que está no pátio em frente, atravessamos a passarela descoberta, a coberta tem uma cobertura grandiosa, e atrás dela, um edifício envidraçado da SNCF, a Societé Des Chamins de Fer, a empresa pública que opera as ferrovias na França, no meio, um anúncio dos novos trens para a Ile-de-France, região metropolitana de Paris, passamos pelo bloqueio e vimos na placa que até o Stade de France são 15 minutos de caminhada a pé, como diria Galvão Bueno, que coisa!!!, ao redor do prédio da SNCF, há tapumes que ainda remetem aos Jogos Olímpicos de 2024, será que chegamos a tempo???, colocamo-nos em marcha numa alameda com prédios envidraçados dos dois lados, tipo Alphaville ou Faria Lima, clicando os ônibus que vinham na direção oposta, ponto de ônibus, o prédio da seguradora italiana Generali, mais moderno que seu congênere na Praça Dom José Gaspar, região central de São Paulo, ônibus da linha 173 pela frente, do outro lado da rua, e por trás, na nossa calçada, placa do Centre Aquatique Olympique Métropole Du Grand Paris, ainda tem ingressos para ver a natação???, ônibus de fretamento da Mercedes Benz estacionado na esquina da Avenue des Fruitiers, restaurante La Casa, de culinária árabe, a placa indica que tem cuscuz, mais um ônibus da 173 no contra-fluxo, passando por outro edifício da SNCF, placa Stade de France Manifestation, indicando que os carros que estacionarem por ali serão guinchados, naturalmente em dias de jogos, dois ônibus da Man, das linhas 353 e 173, o edifício Le Jade, não uma homenagem à personagem de Giovanna Antonelli em “O Clone”, “sino” porque os vidros da fachada são esverdeados, um furgão da JC Decaux estacionado perto de um painel de propaganda em que um funcionário está trocando o anúncio, doguinho passeando na esquina, placa indicando que a estação de metrô Front Populaire e Universidade Paris 13 ficam na rua transversal, seguindo pela direita, anúncio de “Stranger Things”, ah, a onipresente Netflix, “Point de Rassemblement” (Ponto de Encontro...) junto ao cesto para lixo reciclável, painel anunciando bolsa da Longchamp, grafites no muro do Complexe Sportif Nelson Mandela, sem efeito, digo, o ônibus da linha 139 passou depressa, mas conseguimos registrar ele de frente no próximo cruzamento, depois de passarmos por um viveiro de plantas, esperando a vez de atravessar, vemos outro carro da 139, um ônibus rodoviário da MAN usado na formação de motoristas, “vehicule ecole”, o ônibus da linha 153 tem um anúncio do musical, Chicago, mais um “vehicule ecole”, esse um Scania, seguiremos a direita, onde está a mulher com celular e mala de mão, pois é, não é, companheiro, hoje em dia não tem mais orelhão, depois de passarem mais um ônibus de auto-escola e outro carro da 153, ponto de ônibus com anúncio da Longchamp, sempre a bolsa em cima de um bloco de gelo, a outra era vermelha, essa é marrom, já conseguimos avistar uma ponta da cobertura do estádio, estamos a apenas um quarteirão e um Peugeot azul de auto-escola de distância, no último cruzamento, para o ônibus da linha 239, um MAN, anúncio da série Loups Garous, do Canal+, uma das primeiras emissoras internacionais oferecidas pela TV paga no Brasil, um rapaz árabe de bicicleta com cestinha e um negro de patinete atravessam a faixa de pedestres, até a placa de sinalização retorcida merece nosso registro, dois homens de meia idade com agasalhos de tactel e calções curtos fazem “cooper”, seria a perna cabeluda???, o ônibus da 239 passa direto pelo ponto, tem que dar para passar por baixo da autopista, e o estádio fica entre duas delas, a passagem é iluminada por luzes coloridas, do outro lado, quando o relógio marca 13h22, mais perna cabeluda, quer dizer, franceses correndo em trajes esportivos, e o Stade de France... Imediatamente voltamos no tempo, para a época em que gravamos os jogos da Copa do Mundo de 1998 no videocassete, registros que nosso humorista e fornecedor de DVDs, Pancada digitalizou para a gente, o companheiro de cinema não faz ideia do que se trata, veio dos anos 1970, quando não havia videocassetes domésticos e nem redes sociais, porém mando uma foto do estádio para o nosso colega de rede pelo WhatsApp, “é o estádio das fitas”, a resposta do Pancada é mais realista, “é o estádio da convulsão”, que na verdade não aconteceu ali, porém os efeitos em Ronaldo se fizeram sentir durante a derrota brasileira, o famoso “trois-zero”, em 12 de julho de 1998, um mês antes, quando o Brasil jogou a partida de abertura com a Escócia, filmamos as reações dos torcedores que assistiam a partida em São Paulo, para um trabalho da faculdade, na verdade o cinegrafista era o nosso irmão, ele teve a sorte de pegar o exato momento da comemoração do gol de Cafu, o primeiro da vitória do Brasil por 2 a 1, pena que o trabalho não foi finalizado, falando em filmagens, colocamos a lente da câmera do celular em 0,5, para pegar o estádio por inteiro, se afastando ou se aproximando da passagem de pedestres, tentando não pegar as árvores na calçada os quem passava a pé, de bicicleta, ou de “scooter”, o Stade de France estava rodeado por nuvens cinzentas, havia apenas um pedacinho do lado oposto, na Avenue Jules Rimet, onde estava o quiosque da “Boutique Officielle”, loja, e o do “Restauration”, venda de lanches, atrás das arquibancadas estavam colocados anúncios do Porsche Cayenne, um carro alemão no grande estádio francês, caminhamos na direção do portão B, que tem um “Consigne”, ou seja, um guarda-volumes, e um painel com o logotipo do estádio, a palavra “Stadefrance” com letras azuis, brancas e vermelhas, nas cores da bandeira francesa, a fusão dos dois “A” com o “D” e o “N” lembra os logos que Hans Donner fazia para a TV Globo e a empresa de ônibus capixaba Águia Branca, , do outro lado da Jules Rimet, prédios comerciais, em um deles, no térreo, o restaurante Les 3 Temps, com toldo amarelo na entrada, no quarteirão seguinte, uma filial do KFC, toldo vermelho, mesas na calçada, vemos o portão C e num poste o cartaz de “Stationnement Interdit”, “Fourriére Immédiate”, em resumo, estacionamento proibido, sujeito a guincho, o portão D e um homem e uma mulher, cachecol vermelho e jaqueta preta, talvez voltando do almoço, há muitos prédios de escritórios na região, do outro lado da via, mais um restaurante, Events, ainda não almoçamos, precisamos ver as opções, na próxima quadra, um prédio com os logos dos Jogos de 2024, portão E, entrada VIP, portão G, na parede de granito o Regimento Interno do estádio...Do lado oposto da Avenue Jules Rimet, avistamos uma Decathlon, loja de artigos esportivos originária da própria França, no shopping Grand Stade, na calçada do estádio, uma criança de velocípede é acompanhada pela mãe, ao fundo avistamos uma filial da Leroy Merlin, outra grande empresa francesa, a proximidade do estádio é muito prática, chegamos ao portão H, falamos “tour” para o vigia, um pouco parecido com Danny Glover em “Máquina Mortífera”, mas com uniforme azul, passamos pelo Raio-X às 13h35 e agora podemos fotografar o Stade de France sem as grades atrapalhando, inclusive o Bar Express da Heineken, chegamos na entrada da loja do estádio, ponto inicial do “tour”, onde encontramos um rapaz negro elegantemente vestido, paletó de lã e calça social, parecido com o Charles Henriquepédia, ele nos pergunta se vamos fazer a visita, respondemos que sim e passamos pela porta, perguntando para a moça do caixa, uma loira simpática, onde fica o ponto de encontro do “tour”, mostrando o "voucher", ela nos aponta para os fundos da loja, depois dos mascotes da Copa do Mundo de 1998, Footix, e da Eurocopa de 2016, Victor, o menino do crachá... Entramos numa sala com painéis sobre a construção do estádio, projetado pelos arquitetos Michel Macary, Aymeric Zublena, Michel Regembal e Claude Constantini, com design inspirado no terminal da Pan Am existente no aeroporto internacional JFK, em Nova Iorque, com as obras começando em 2 de maio de 1995, época em que era chamado genericamente de Grand Stade, como parte dos preparativos para a França receber a Copa do Mundo de 1998, o nome Stade de France inclusive foi uma sugestão do presidente do Comitê Organizador Local do Mundial, o ex-jogador Michel Platini, o próprio e também da candidatura de Paris como sede dos Jogos Olímpicos de 2008, a partir da constatação de que a cidade perdeu os Jogos de 1992 para Barcelona exatamente pela falta de um grande estádio para receber as competições, e pensar que a abertura dos Jogos de 2024 aconteceu no coração de Paris, às margens do Sena, Saint-Denis ficou só com o encerramento, no meio dos painéis, a maquete do estádio, que graças a estrutura modular tem capacidade variável, 78 mil pessoas em eventos de atletismo, 80 mil em jogos de futebol e rúgbi, sediando oficialmente os jogos das seleções francesas de ambos os dois esportes, e 100 mil pessoas em concertos e shows, a inauguração aconteceu com um jogo de futebol, o amistoso entre França e Espanha em 28 de janeiro de 1988, vitória dos “Bleus” por 1 a 0, gol de Zinedine Zidane, o próprio... Justamente ele é quem aparece com destaque na entrada da sala seguinte, um museu cujo acesso é feito por um corredor que a direita de quem entra tem uma galeria de capas históricas do jornal “L’Equipe” sobre os mais memoráveis eventos esportivos realizados no estádio, os fantasmas da derrota da Seleção Brasileira em 1998 nos assombram quando “Charles” pede para fazermos uma foto dele ao lado de uma capa do jornal com a foto de Zidane ocupando toda a página, a manchete do periódico francês após a vitória por 3 a 0 sobre o Brasil foi “Pour L’eternité”, lembramos da capa do Lance!, que evidenciava a indignação pela derrota e as dúvidas sobre o que aconteceu com Ronaldo Fenômeno antes da partida, “Por que???”, agora uma mãe branca leva seus dois filhos negros para fazer uma foto com a capa de Zidane, do outro lado do corredor estão fotos dos shows musicais e apresentações de óperas acontecidas no estádio, começando pelos Rolling Stones, em 25 de julho de 1998, é verdade que foi um par de semanas depois do Brasil ter perdido a Copa, mas comento com meu parceiro de cinema que a culpa é do Mick Jagger e do Zidane, digo, Celine Dion compareceu em 19 e 20 de junho de 1999, Tina Turner em 5 de julho de 2000, AC/DC em 22 de junho de 2001, retornando em 12 de junho de 2009 e em 18 de junho de 2010, Mick Jagger e os Stones voltaram em 9 de julho de 2003, também em 28 de julho de 2006, 16 de junho de 2007 e 13 de junho de 2014, George Michael cantou em 22 de junho de 2007, no mesmo ano, em 29 e 30 de junho, o The Police fez dois shows de sua Reunion Tour, com Sting e tudo, já nos acostumamos a ver o anúncio de sua turnê de despedida nas plataformas das estações do metrô de Paris, Madonna veio em 20 e 21 de setembro de 2008, na Sticky & Sweet Tour, em 20 e 21 de setembro de 2008, o Depeche Mode trouxe sua A Tour Of The Universe em 27 de junho de 2009, algum fã aí???, e voltaram com a Delta Machine Tour em 15 de junho de 2013, na Global Spirit Tour, em 1 de julho de 2017 e na Memento Mori World Tour em 24 de junho de 2023, o U2 esteve na Tour 360º em 11 e 12 de julho de 2009 e 18 de setembro de 2010, a banda francesa Indochina compareceu em 26 de junho de 2010, o Black Eyed Peas em 22, 24 e 25 de junho de 2011, Prince, o próprio, em 30 de junho de 2011, o baixinho era f.., o Metallica em 12 de maio de 2012, o Red Hot Chilli Peppers em 30 de junho de 2012, Madonna retornou na The MDNA Tour em 14 de julho de 2012, o Coldplay tocou em 2 de setembro de 2012, na Mylo Xyloto Tour, em 15, 16 e 18 de julho de 2017, em A Head Full of Dreams, e com Music of The Spheres, em 16,17, 19 e 20 de julho de 2022, Lady Gaga foi de Born This Way Ball em 2 de setembro de 2012 e Chromatica Ball em 24 de julho de 2022, Rihanna de Diamonds World Tour em 8 de junho de 2013, Beyoncé nas duas turnês On The Run, com Jay-Z, em 12 e 13 de setembro de 2014 e 14 e 15 de julho de 2018, e veio de Cowboy Carter em 21 e 22 de junho de 2025, e olha que não mencionamos as encenações de óperas e o show do André Rieu com sua orquestra, em 29 de agosto de 2008... No final do corredor, estão os uniformes esportivos, objetos de bandas e figurinos de óperas, entre as camisas de rúgbi, se destacam as da Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, que venceu as duas finais de Copa do Mundo disputadas em Saint-Denis, nos anos de 2007 e 2023, objetos de uma das turnês dos Rolling Stones estão lado a lado com ingressos da Euro 2016 e a camisa das seleções finalistas, França e a campeã, Portugal, 1 a 0, Gol de Eder na prorrogação... Encontramos Charles mais uma vez e ele pede uma foto ao lado da camisa de Zidane na Copa de 1998, perto dela está o uniforme do goleiro Barthez, pegava muito, mais do que o Lloris em 2018, mais memórias de astros franceses, a camisa 8 de Desailly, a credencial de Djorkaeff em 1998, uma foto autografada de Thierry Henry, que jogava demais, principalmente na eliminação do Brasil em 2006, digo, e a camisa de jogo de Ronaldo na final da Copa em Saint-Denis, a número 9 da Nike © autografada, uma lembrança dolorosa... Vemos o figurino que Montserrat Caballé, a própria, usou na encenação de Turandot no estádio em 2005, “souvenirs” do show do Indochina, roupas usadas nas apresentações de Ben-Hur, em 20 de setembro de 2006 e Excalibur, em 24 de setembro de 2011, guitarras, prato da bateria do AC DC, observamos as camisas dos dois campeões da Champions League no estádio, o Real Madrid, em 24 de maio de 2000, vitória sobre o Valencia por 3 a 0, e em 28 de maio de 2022, quando derrotou o Liverpool por 1 a 0, e o Barcelona, que ganhou do Arsenal por 2 a 1, em 17 de maio de 2006, a camisa “blaugrana” fez Charles e os amigos que encontrou na exposição e vão acompanha-lo no “tour” lembrarem de Ronaldinho Gaúcho, ainda que nesse jogo quem detonou os “Gunners”, literalmente, foi Beletti, o Lance! até veio com o título “Belettinho Gaúcho”, e pensar que essa conquista levou o Barça a ser derrotado pelo Chapolin Colorado de Abel Braga na final do Mundial de Clubes de 2006, 1 a 0 com gol de Adriano Gabiru, uma derrota tão arrasadora que levou ao surgimento do “tiki-taka”, o esquema de jogo de Pep Guardiola que foi levado para a seleção espanhola campeã mundial em 2010... Fizemos um vídeo do “museu” rapidamente, porque às 13h59 os visitantes eram chamados pelo guia, Tuelle, um rapaz negro de jaqueta vermelha e boné branco, pode chamar de Chris Rock, e que cuidou imediatamente de conhecer o grupo que iria acompanha-lo e seus times de coração, um casal italiano, torcedores da Juventus, ele, inclusive, alto, magro e com coque samurai no cabelo, era o próprio Ibrahimovic, mãe, filho e filha argentinas, que torcem para o Messi, um casal inglês, “Charles” e seus dois amigos, e além de nós, torcedores do Timão, o guia até prometeu se esforçar para falar português, também precisa revisar essa informação de que a equipe corinthiana é "second" do Brasil, "premier", por favor, digo, há mais dois brasileiros no grupo, e pai e filho de Recife, o menino se declarou torcedor do Náutico, nosso companheiro de cinema, que permaneceu incógnito, profundo conhecedor das terras e do povo pernambucano, ficou só observando os dois, enquanto entravamos no corredor de trânsito do estádio... Chegamos na arquibancada do setor E, às 14h06, os visitantes se acomodam nas cadeiras, o guia explica que o estádio tem grama artificial e cumpre a exigência de 60 mil lugares para receber a final da Copa do Mundo, parte da arquibancada é retrátil para permitir o uso da pista de Atletismo, como aconteceu nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2024, o campo também recebeu as cerimônias de encerramento, joga-se muito rúgbi por aqui, desde a inauguração, em 1997, a seleção francesa da modalidade já jogou 100 vezes no estádio, número próximo dos 109 jogos do selecionado de futebol, recebendo ainda a Copa do Mundo de rúgbi em 2007 e 2023, o que dá para ter uma ideia das preferências esportivas do país, digo, o guia falou das decisões de futebol ocorridas no local, a começar pela Cops do Mundo de 1998, lembramos que Eder fez na prorrogação o gol que deu o título da Eurocopa de 2016 para Portugal, na decisão contra a França, depois que Cristiano Ronaldo tinha sido substituído, e enquanto Tuelle questionava se alguém queria fazer uma pergunta, tiramos da mochila uma reprodução do boletim da FIFA com a escalação das seleções de Brasil e França para a final da Copa do Mundo de 1998, as duas versões, que fazem parte do livro “Tesouros da Copa do Mundo”, e a primeira é literalmente uma preciosidade, que aparece numa gravação que fizemos no videocassete da transmissão da TV Globo, sendo brandida por um Galvão Bueno enfurecido, encarando a câmera da cabine, e vociferando, “torça para que pela primeira vez isto esteja errado... Vai ter EDMUNDO com a número 21, Ronaldinho está fora!!!”, Galvão e a equipe da Globo no estádio ainda não tinham noção da crise convulsiva que o camisa 9 da Seleção Brasileira na concentração em Ozoir La-Ferriere, e o narrador deve ter se acalmado um pouco quando foi emitido um novo boletim com o nome de Ronaldo entre os titulares, fizemos uma foto com a primeira versão e o campo ao fundo, nos apressando para seguir o grupo, que percorre o corredor de acesso às arquibancadas, entre avisos de wi-fi gratuito e de reciclagem, na direção das salas técnicas, passando pela entrada dos banheiros, bares e o acesso aos outros setores das arquibancadas, C, A, Z, Y, descemos as escadas, essa obsessão parisiense, o metrô está cheio delas, registramos o professor Girafales, quer dizer, a mangueira de bombeiro na sala da brigada de incêndio, após o “stand-up”, digo, a preleção de Tuelle Rock, reparamos em umas boias nas paredes, perto do teto, reforço estrutural???, o guia nos leva até o posto policial do estádio, balcão com monitor para mostrar as imagens das câmeras de segurança e formulários para registro de ocorrências, sala para fazer o “mugshot” dos detidos, salinhas com um banquinho azul de madeira, literalmente a “tranca” do Stade de France, o pai pernambucano não soube dizer da existência de uma dependência semelhante nos estádios brasileiros, nosso parceiro secreto pediu para ficarmos de olho, têm celas coletivas também, ali os bancos são maiores, às 14h37 entramos no corredor de serviço do estádio, iluminado por uma luz azul, uma via asfaltada entre paredes de concreto aparente, para comparecermos nos vestiários, “Zone de Livraison”, na entrada para as “Tribunes: Presidentielle / Officielle” tem tapete vermelho no chão, gostamos de ver estampada no concreto um desenho representando a chegada dos jogadores, desembarcando do ônibus de sua equipe, para sinalizar a “Entrée Des Joueurs”, então somos introduzidos nos dois vestiários do Stade de France, semelhantes entre si, mesas de massagem, sala para os treinadores, “Bureau des entraineuers”, “Coaches Office”, banheiras de hidromassagem, piscina, sauna, chuveiro, geladeira para bebidas, “flipchart” para orientações táticas, roupeiros de madeira de lei com camisas de futebol e rúgbi, ao redor de uma grande mesa, fizemos uma pergunta singela porém significativa para o guia, qual foi o vestiário do Brasil em 1998, Tuelle responde que é o segundo, atualmente usado pela seleção francesa, como atestam os vídeos mostrados nos telões acima da mesa de centro, pegamos o celular e começamos a filmar cada canto do local, até a arara com cabides da sala reservada aos técnicos, tudo na esperança de encontrar algum eco dos diálogos travados entre a comissão técnica e os jogadores em torno da escalação de Ronaldo para a final da Copa contra a França, talvez fosse possível sentir a presença do jogador em observação numa das mesas de massagem, enquanto a camisa 9 da Nike © estava pendurada em um dos cabides, mais ou menos como foi revelado pelo Casseta e Planeta, digo, quando deixamos o fatídico vestiário, o grupo já estava dentro da sala de aquecimento dos jogadores, com carpete azul, paredes branca e redes no teto, para os jogadores de futebol e rúgbi não quebrarem as luminárias, parecida com a dependência onde os futebolistas se aquecem no Itaquerão, só que o tapete é verdade e as paredes têm desenhos que representam a Fiel Torcida, bem mais bonito, da porta vemos o guia demonstrando sua habilidade no domínio da bola, em seguida, Tuelle organizou um torneio de dois toques com os visitantes que que se voluntariam a bater um bolinha, e o brasileirinho de Recife fez bonito, mas foi vencido pelo “Ibrahimovic” torcedor da Juventus, definitivamente, o Stade de France não traz muita sorte para o Brasil, claro, a Seleção Brasileira voltou duas vezes depois da derrota de 1998, em amistosos jogados em 9 de fevereiro de 2011, 1 a 0 para os franceses, e 26 de março de 2015, vitória brasileira de virada, 3 a 1, na última ocasião em que as duas seleções se enfrentaram, e para alguns uma revanche da derrota no Mundial, apesar da Seleção ser dirigida então por um dos derrotados no campo em 1998, Carlos Dunga (OG), pois é, não é...
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| Na saída de um túnel com luzes coloridas sob a autopista, o estádio surge como nas fitas VHS gravadas em 1998... |
Quando o grupo chegou na porta do corredor de acesso ao gramado, às 15h05, o guia organizou uma entrada no estilo da Copa do Mundo, com o rapaz italiano e o menino brasileiro à frente, como se fossem os capitães das equipes, tem até trilha sonora, que inclui a vibração da torcida, mas ao caminhar pelo tapete verde, uma outra música vinha a nossa mente, e de nosso acompanhante cinematográfico, o tema da FIFA tocado antes do início da grande final da Copa do Mundo jogada em 12 de julho de 1998, cada passo até o campo de Saint-Denis correspondia a uma viagem do tempo, tanto que nos afastamos dos outros visitantes, que ouviam o guia e faziam fotos, e fomos na direção do gol à esquerda das tribunas, a trave tinha sido retirada, porém a essa altura já estávamos no momento em que o goleiro Taffarel se posicionava à frente delas, lembramos do curta-metragem “Barbosa”, de Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, baseado num conto de Paulo Perdigão, autor do livro “Anatomia de Uma Derrota”, sobre a vitória do Uruguai sobre o Brasil no Maracanã em 1950, onde um viajante do tempo tenta impedir a derrota da Seleção Brasileira, postado atrás do gol defendido por Barbosa, tentando livrá-lo de uma condenação que só prescreveu depois da derrota por 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão em 2014, filmamos a meta enquanto Galvão Bueno narra a partida... “Toma conta desse Zidane que ele é muito perigoso, olha o Zidane recebendo de volta, botando na frente, Guivarch chegou, Taffarel olhou, chegou pra pegar”... “Insistiu Rivaldo, vamos, Rivaldo, tocou pra Roberto, vamos Roberto, olha os brasileiros na área, olha o cruzamento, ele preferiu direto pro gol”... “Lá vem o Dunga (OG), lá vem no ataque armado o time brasileiro, faz a abertura pra Ronaldinho, agora ele vai pra cima da marcação de Thuram, sou mais Ronaldinho, encarou Thuram, buscou a linha de fundo, olha o cruzamento, Barthez falhou!!!”... Apesar do esforço de Ronaldo, o goleiro da França fez a defesa... “Leonardo pra cobrança, cruzamento na área, o toque de cabeça, Barthez!!!, agora ele salvou a França!!!”... Cabeçada de Rivaldo após cobrança de escanteio”... “Tocou pra Thuram, voltou pra Karembeu, chegou Roberto, tomou a frente, fez lá a graça pra tentar evitar, não conseguiu, é escanteio, essa gracinha que às vezes custa”... Depois do lateral ter chutado a bandeirinha de corner, o locutor não poderia imaginar que sua crítica era também um presságio... “Aí o lançamento pra área brasileira, olha o que aconteceu, olha o que aconteceu!!!, goooolll, Zidane!!!”... Quando Petit cobrou escanteio na primeira trave, exatamente onde estava o goleiro Taffarel, Zidane, 1,85 metro de altura, subiu mais alto que Leonardo, 1,75 metro, Junior Baiano, 1,93 metro, apenas observou, o goleiro Taffarel apesar de estar colocado bem diante da jogada, não conseguiu defender a cabeçada, tudo aconteceu ao vivo novamente diante de nossos olhos e não fizemos nada, lembramos que em “Barbosa”, exatamente quando o uruguaio Ghiggia arrancava para o gol, o personagem que viajou no tempo tentou avisar o goleiro brasileiro, mas só conseguiu distrair Barbosa, que no mesmo instante levou o gol da vitória do Uruguai, não adiantaria mudar um destino inevitável... “Pode até bater pro gol, arriscou, bateu, Junior Baiano, deu de graça pra Petit”... Desta vez, Taffarel fez a defesa... “O que tá acontecendo com a Seleção Brasileira, vamos esperar esse ataque, olha como falhou, olha a chance de Guivarch, Taffarel!!!”... “Quarenta e cinco e quarenta, ninguém sobe, goooolll, da França, Zidane!!!”... Nova cobrança de escanteio, do lado oposto do lance do primeiro gol, Djorkaeff levantou a bola, a defesa brasileira hesitou entre fazer a linha de impedimento e marcar homem a homem, Zidane subiu, Dunga foi ao chão e o camisa 10 da França cabeceou no espaço entre Roberto Carlos e Taffarel na linha do gol, definitivamente um alerta não alteraria a história... Começa o segundo tempo, agora o Brasil ataca no gol à esquerda das tribunas, que continuamos a filmar na esperança de uma reação, algumas vezes desviando o olhar para a meta oposta... “Aí a bola rolada pra Roberto Carlos, aí vem cruzamento, olha o Brasil chegando, tentando chegar, com Ronaldinho, agora Ronaldinho, capricha, Ronaldinho, Barthez!!!, era uma bola pro jogo”... “Le Boeuf, botou pra frente, a defesa brasileira parou no meio do caminho, Cafu, tenta o recuo, deu de graça!!!”... “A torcida francesa reclama, quer que o Brasil coloque a bola pra fora, o Rivaldo coloca a bola pra fora e é quase agredido pelo Edmundo (OG), o desespero do Edmundo, o Zidane tá ali, dando toda a pinta de não ter nada, o Rivaldo botou a bola pra fora, Edmundo en-lou-que-ceu!!!”... Presente na primeira escalação divulgada pela FIFA, Edmundo (OG) entrou em campo apenas aos 30 minutos do segundo tempo, no lugar de César Sampaio (OG), o técnico Zagallo insistiu em Ronaldo, apesar dos problemas na concentração, aceitaria a sugestão de fazer a substituição antes, não quisemos arriscar... “Aí o time francês, a tabela, a bola na frente, Taffarel, ficou no meio do caminho, Dugarry bateu, pra fora”... Mais um passe longo após perda de bola no meio campo que pegou a defesa brasileira adiantada...”Subiu a placa de três, teremos mais três minutos, Edmundo ainda acredita, lindo lance pra Denilson, na trave!!!, não era o dia do futebol brasileiro!!!”... “Dunga se esforça pra correr ali pelo meio, bola colocada pra Petit, Taffarel saiu, Petit bateu, goooolll!!!, é da França, é do título, é da vitória, é do título inédito do futebol francês!!!”... Mesmo marcado por Cafu, Petit marcou o terceiro gol dos franceses, pouco depois de Denilson, que substituiu Leonardo no começo do segundo tempo, ter carimbado o travessão, desabafamos para nosso parceiro do cinema, caso tivéssemos lembrado do que Galvão Bueno disse depois do lance, talvez nem tivéssemos viajado no tempo, afinal, isso é impossível, e nesse momento, voltamos a tarde de 3 de dezembro de 2025 quando o guia e os outros visitantes subiam as arquibancadas até a tribuna de honra do Stade de France, onde havíamos acabado de ver a vibração do presidente francês Jacques Chirac, e pudemos conferir de perto a bancada onde os jogadores da França comemoraram o título mundial quando o capitão Didier Deschamps levantou a taça e a ergueu sobre sua cabeça, cenas que testemunhamos há poucos minutos... O casal italiano faz fotos do gramado e vou saindo da tribuna pela porta de vidro do camarote, que tem telões de LED na parede e tudo mais, pergunto ao guia, para que não pense que tínhamos deixado de prestar atenção em suas explicações:
- Presidential tribune???...
- Yes!!!, respondeu...
Faço uma última foto do acesso e digo:
- Luis Inácio!!!...
O menino recifense responde:
- Luis Inácio, não!!!...
Comento sem olhar para trás:
- O outro foi de Sarkozy...
Quando me viro, vejo o pai mordendo ligeiramente os lábios, o meu companheiro de cinema, calejado por sua passagem pela capital pernambucana na época da ditadura, já tinha me alertado sobre a preferência política de pai e filho assim que viu eles no começo da visita guiada, e agora tínhamos a confirmação, que de certa forma compensava o fato da Seleção Brasileira continuar perdendo a final da Copa de 1998, a história não é tão injusta, afinal de contas, exatamente quando o grupo deixa o camarote, sobe uma escada, desce por outra em frente ao portão R e anda por trás das arquibancadas, enquanto o guia conversa com o casal italiano, avistamos de longe o Centro Aquático Olímpico, sede das provas de natação nos Jogos de 20h24, a Leroy Merlin também desperta o nosso interesse, materializado em composições fotográficas com o estádio e a loja, o relógio marca 15h57, nos despedimos de Tuelle e fomos para a loja do portão H, junto a entrada estão as “massacotes” dos Jogos Olímpicos, as Phryges, dupla que representa o barrete frígio, símbolo da Revolução Francesa e da República da França, que está na cabeça de Marianne, que por sua vez personifica a própria instituição republicana, tanto que ela já figurou em várias cédulas e moedas brasileiras, em 1970, cunharam uma moeda de 1 cruzeiro que o rosto de Marianne tinha as feições da atriz Tônia Carreiro, e hoje está nas notas de real, uma das Phryges tem uma prótese de perna, representando os Jogos Paralímpicos, entre as duas, uma bola de rúgbi, no fundo da loja, ficam os “massacotes” da Copa de 1998, o galo Footix, inspirado em outro símbolo do país, Le Coq Gaulois, evocando o nome dado pelos romanos aos habitantes do território francês, então conhecida como Gália, “gallus”, o que também explica o nome que lembra o da HQ favorita do Mister Bean, Asterix, personagem que o Claudio Manoel do Casseta chamava de “Pica-Pau francês” numa coluna que mantinha no jornal “Lance!”, bem nos primórdios do periódico, em 1997, e da Eurocopa de 2016, o garoto Victor, vestindo a camisa 16 e devidamente identificado por uma credencial, afinal, crianças não podem andar desacompanhadas em um estádio enorme como esse, caso do menino que experimenta uma camisa da seleção francesa à instância do avô, ali perto das araras e cabideiros com as camisas de futebol, vamos na direção dos uniformes de rúgbi, e o selecionado da França é vestido pela Adidas ©, mantendo uma tradição que o time de futebol deixou de lado mesmo com a vitória na Copa do Mundo de 1998 para usar material esportivo da Nike ©, passamos por bolas de rúgbi, uma seção com miniaturas e fotos de jogadores do time francês de 1998 em reformulação, um “lounge” no fundo com cadeiras azuis e sofás vermelhos, ao lado das máquinas de bebidas, a bola imitação de couro, remetendo a Copa de 1938, com o logo estilo Hans Donner, também olhamos cachecóis, boinas, bonés, canecas, e vimos no balcão, perto de um canguru de pelúcia com o uniforme amarelo da Austrália uns cartões postais bem simples que pensamos em levar, porém mudamos de ideia quando a balconista loira disse que cada unidade custava 2 euros, e dessa forma fomos embora lamentando que não houvesse na loja um livrinho que fosse à venda, que coisa, não...
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| Voz de Galvão Bueno ainda ecoa em Saint-Denis... Vai ter EDMUNDO com a número 21, Ronaldinho está fora!!!... |
Deixamos a loja às 15h33, o guia ainda conversava com o casal juventino abaixo das arquibancadas, vamos em direção ao portão H, por onde entramos no estádio, ali estão a loja Decathlon do outro lado da rua e na calçada em frente o pai e o filho brasileiros comem pipocas, como já sabemos de suas posições políticas, passamos longe, atravessamos a via com a meta de fotografar a Leroy Merlin e o estádio ao mesmo tempo, na esquina uma lanchonete versão genérica do MC Donald’s, Quick, simbolizada por um grande Q sob fundo vermelho, “Quality Burger Restautant”, no ponto de ônibus antes da entrada da Leroy, muita gente esperando a condução, clicamos rapidamente o Stade de France de um lado da via e a loja do outro, não quisemos entrar para ver se tinha a estante que compramos na filial do Anália Franco e eventualmente o seu preço em euros porque tínhamos outra meta, fotografar o Centro Aquático Olímpico, uma caminhada longa ao redor do estádio, com um outro pedestre e ciclista pelo caminho, avistando os prédios residenciais em construção, porque aqui eles também constroem perto das arenas, o ônibus MAN da linha 239, Rosa Parks – Curial, passando em frente a parte de trás das arquibancadas, rende uma excelente foto para abrirmos nosso post no Instagram sobre os carros que registramos na região de Saint-Denis, assim como a lente da câmera em 0,5 consegue abranger toda a grandiosidade do estádio, fotografamos o Centro Aquático Olímpico de uma esplanada, separada da instalação esportiva por uma autopista de tráfego intenso, a fachada em grade tem a forma de um barco, e os anéis olímpicos estão ao lado da escadaria de acesso, acima da inscrição “Centre Aquatique Olimpique Métropole du Grand Paris”, não fomos mais perto porque o Centro Aquático exigiria outra longa caminhada, apesar do guia ter dito que há um restaurante no local, a instalação nos lembrou o Estádio Aquático do Parque Olímpico da Barra, usado nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, uma grande estrutura quadrangular bem em frente a Lagoa de Jacarepaguá, com fachada gradeada decorada pela reprodução de uma obra de arte inspirada no grafite, “Celacanto Provoca Maremoto”, citação da série japonesa “National Kid” que apareceu misteriosamente pichada nos muros cariocas na década de 1970, instalação provisória, que deveria ser desmontada logo após os Jogos, porém só foi removida quando Eduardo Paes voltou à prefeitura do Rio em 2021, hoje resta apenas o terreno vazio, sobre o Centro Aquático parisiense, nós até perguntamos na internet se conseguimos chegar a tempo de ver os Jogos Olímpicos de 2024, mas soubemos que os atletas olímpicos do Brasil não ganhou nenhuma medalha ali, entretanto nos Jogos Paralímpicos foram 7 medalhas de ouro, 9 de prata e 10 de bronze... Na esplanada de Saint-Denis, o contêiner preto que funciona como lanchonete em dias jogos tinha o cartaz com os ingredientes do cachorro quente, “pain hot dog, saucisse de porc, confit de oignons, ketchup, moutard au miel pommery”, tem a cebola da sopinha do Eric Jacquin e não a mostarda “a la ancienne” que o chef do “Pesadelo na Cozinha” tanto aprecia, voltamos para as grades do estádio, junto ao portão R, perto de uma escultura feita com vigas de ferro retorcidas, chamada “Rubans de La Memoire”, de Jean-Pierre Rives, inaugurada em 21 de maio de 2016 pelo presidente socialista Francois Hollande, dedicada “Aux sportifs morts pour la France, La patrie reconnaisante”, um grupo de 430 atletas que perdeu a vida nos combates da Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, período que proporcionou também a popularização das práticas esportivas no país, antes restritas a elite econômicas, a própria Copa da França de futebol surgiu em 1917 como uma forma de homenagear um futebolista que saiu de cena nos campos de batalha em 1915, Charles Simon, e a inauguração ocorreu poucos meses depois dos atentados terroristas em Paris, ocorridos em 13 de novembro de 2015, dia em que o Stade de France recebeu um amistoso entre França e Alemanha, inclusive com a explosão de três bombas do lado de fora do estádio, apesar do ruído das explosões ter chegado até as arquibancadas, auumentando a apreensão do público, o Stade de France foi evacuado em 7 minutos, registramos o “menumento” e depois dos posicionamos entre as grades para fotografar a “Boutique Officielle” do estádio, um ônibus Renault preto, provavelmente baixado do serviço urbano de Paris, de vários ângulos, imagens que vão fechar nossa postagem no Instagram a respeito dos coletivos dos arredores de Saint Denis, voltamos para nosso ponto de partida, passando por pessoas a pé e de patins, vendo num painel eletrônico da JC Decaux que a estação da linha B da RER fica “a proximite” do portão A, e a “gare” da linha D, de onde viemos para a visita, está perto do portão X, do lado oposto ao estádio, avistamos a fachada da Leroy Merlin anunciando “Prix Baissé”, preço baixo, sob fundo vermelho, chegamos ao portão J e depois ao H, atravessamos na faixa em frente ao edifício da Fitness Park, passamos pelo “bistrot” e “lounge” Events, vimos as placas na entrada, anunciando “Entrées”, “Plats” e “Desserts” do dia e a “Formule Midi” do almoço, entrada e prato principal, ou prato e sobremesa, por 15,90 euros, um pouco impraticável porque eram quase 16 horas, vimos o KFC com toldo vermelho, luzes natalinas, mesas e cadeiras na calçada, e nada do francês que é garoto-propaganda da rede de “fast-food” no Brasil, encarnando o próprio Coronel Harland David Saunders, claro que estamos falando do Jacquin do “Masterchef”, pensamos em ir no toldo amarelo do “Mi 3 Temps”, certos de que pelo nome, estariam no esquema de entrada, prato principal e sobremesa, todavia uma escada na porta para reparos na instalação elétrica nos fez voltar para para o Events e entrar no restaurante, ao contrário do entregador que não se importava com o frio e preferiu ser atendido nas mesinhas do lado de fora... Somos atendidos pela mesma garçonete de preto, cabelos castanhos amarrados num coque, que vimos fumando na entrada antes de decidirmos almoçar por ali, o local está vazio, um rapaz toma uma caneca de chope no balcão do bar, com suas prateleiras de aço inoxidável e um televisor de tela plana no meio exibindo clipes de pop e rock, principalmente francesa, mas com espaço para um musical do Kiss, da década de 1980, o teto cinza tinha luminárias estilo “móbile” e umas chapas onduladas de cor laranja, no caminho dos banheiros, outro telão, com os mesmos videoclipes, verificamos o cardápio, “La Carte”, pedimos “L’incontournable oeuf mayonnaise maison”, salada e ovos cobertos por maionese, “Salade Caesar”, com filé de frango, a “Salade Oslo”, com salmão defumado e abacate, não estava disponível, ou como se diz no Brasil, “tem, mas acabou”, além de fornecer essa informação, a garçonete também avisou que a salada era grande, mantive o pedido, fazendo mentalmente uma pequena reflexão, “a salada é grande e a gente também”, e fechamos com um dos “Nous Brochettes”, o Buenos Aires, um espetinho de carne marinada com azeite e “frites”, a Coca-Cola “Sans Sucres” veio acompanhada de um copo com gelo, um canudo alvinegro e aquela rodelinha de limão que a gente não queria, para acompanhar os pratos, uma cestinha de pães (depois pedimos outra...), a salada César veio com ovos e tomates, ingredientes não habituais do prato, em geral usam alface, queijo, molho e “croutons”, o espeto tinha um molhinho à base de pimenta do reino para acompanhar, a carne estava bem passada, as fritas mais, por isso evitamos, também para não demorarmos na refeição, nem sobremesa pedimos, deixamos por mais uma Coca Zero, entre uma postagem e outra sobre a visita ao Stade de France, flagramos o momento em que a garçonete derruba o café na mesa de um casal, um homem negro e uma mulher branca, registramos rapidamente, o homem era brabo, a situação não era muito confortável, mas, enfim, a conta veio às 17 horas, 47,30 euros, “Merci de votre visite, A bientot”... Saindo do restaurante, fizemos mais fotos do estádio, do outro lado da Avenida Jules Rimet, o crepúsculo começando, aumentando o receio de atravessar a passagem por baixo da autopista, mesmo com as luzes coloridas, apertamos o passo e ao chegarmos do outro lado, fotografamos os ônibus parados no semáforo, avistando à esquerda o acesso da estação da linha B da RER, a mesma que vai para o Aeroporto Charles de Gaulle (CDG) e a direita a rua que é caminho para a estação da linha D, onde pretendemos embarcar dentro de mais alguns minutos, voltamos a ver o viveiro de plantas e o Centro Esportivo Nelson Mandela, os colegas de firma retornam do trabalho, os carros mais reconhecíveis estacionados no meio-fio são os Renault Captur e Clio, a propósito, tinha um Clio estacionado bem na frente do Events, a CBRE aluga escritórios em um dos prédios de fachada envidraçada estilo Faria Lima que dominam a paisagem da alameda, principalmente depois da Rue des Frutiers, andamos do lado oposto da ida, a calçada em frente à sede da Direction Generale Industrielle & Ingénerie da SNCF está tomada por folhas secas caídas das árvores, no chão também vimos um anúncio de “Vente de Gáteaux” da Escola Louis Pasteur, um tipo de Festa do Sorvete, só que com bolos, a partir de 1 euro, no dia 12 de dezembro, não poderemos ir, registramos o ônibus fretado da Mercedes, da região Hauts-de-France, próxima a fronteira com a Bélgica, onde fica a cidade de Lille, o ônibus da linha 173, as fachadas iluminadas dos prédios Le Jade e da seguradora Generali... Chegamos a entrada da “Gare do Stade de France St.Denis”, magnificamente iluminada ao anoitecer – e agora são 17h23 - a direita de quem chega estão as catracas, nós vamos pela esquerda porque tem um “kiosk” da Relay, oferecendo na porta uma promoção de duas garrafas de água mineral Evian por 3,70 euros, a gente deixa pelas revistas, tem “La Bible Miaou” e um volume sobre cavalos, levamos uma revista de futebol retrô, que pagamos para um balconista jovem e distraído, também simpático, que disse “bom jour” e “bom soir” ao mesmo tempo, finalmente passamos pela catraca, o acesso da estação à noite é belíssimo, a cobertura iluminada da passarela sobre as plataformas é quase tão majestosa quanto o Stade de France, estamos na passarela descoberta, onde observamos o mapa da linha D do R, temos que ir não no sentido da estação Creil, “sino” na direção de Villeneuve Saint-Georges, onde a linha bifurca e segue para Corbeil-Essones e Melun, na escada vemos que o trem parado está lotado, em pleno horário de pico, o jeito é sentar no banco e esperar o próximo, no qual embarcamos 17h35, sentamos no andar de baixo da composição de dois andares, na janela, onde viajamos no escuro, acompanhados do Visconde de Sabugosa, quer dizer, de um sabugo de milho, ainda com alguns grãos queimados na grelha, deixado no beiral, o garoto no assento da frente falava ao celular sobre “justificatifs”, documentos, passamos pela Gare du Nord e desembarcamos em Chatelet-Les Halles 17h51, o trem encheu mais ainda e os orientadores da estação plantados da porta dificultando um pouco a saída, fizemos a longa travessia até a estação do metrô registrando a lojinha da Fnac, só acessórios para celulares, duas mulheres carregando um carrinho de bebê na lateral da esteira inclinada, mais uma esteira, escada rolante e fixa, chegamos na plataforma de Chatelet às 18h03 junto com um trem do metrô azul, branco e cinza com botãozinho na porta, que não estava cheio, viagem rápida porque 18h07 desembarcamos na plataforma de Palais Royal-Musée du Louvre diante da mulher pensativa segurando o celular... Nossa ideia era passar no Carrousel do Louvre e comprar alguns livros sobre o museu, depois da primeira escada avistamos no corredor os funcionários da RATP, a empresa pública que opera o metrô de Paris, de maquininha na mão, conferindo se os passageiros estão com o bilhete em ordem, caso contrário, é multa, eles estão à nossa esquerda, seguimos pela direita rumo á plataforma da Linha 1, onde vimos um doguinho chegando com seu tutor, será que ele leva o bilhete, subimos a escada do acesso a Rue de Rivoli, o vendedor de castanhas está com seu carrinho de supermercado bem em frente à entrada do museu, que como sabemos, fecha às 18 horas, já são 18h12, mas também serve para o Carrousel, vemos alguns riquixás de aplicativo, puxados por bicicleta e entramos pela porta envidraçada e com neon do Carrousel, que fica no número 99 da Rue de Rivoli, descemos dois lances de escadas rolantes, passamos pelo corredor com lustres da Mona Lisa, o anfiteatro da Ecole du Louvre, a loja da Comédie Française, a pirâmide de vidro invertida servindo de ponto de encontro dos excursionistas com guia levando bandeirinha, e como a “Boutique do Louvre” fica dentro da área do museu, é preciso passar pelo raio-X na entrada, a loja tem roupas, artigos de cozinha e até cesta de vime para piqueniques, deixamos pelos livros, “As Obras Primas do Louvre”, “Louvre Guia de Bolso”, com La Joconda na capa, “Todo o Louvre”, estampando na capa as pirâmides do pátio interno, todos em português, como os três guias, iguais ao que compramos na segunda-feira, para dar de presente, ao lado do caixa, em que uma jovem simpática de cabelos repartidos ao meio nos oferece uma sacola não muito resistente, a vitrine com uma réplica negra da Vênus de Milo e um desenho da pirâmide, uma árvore de Natal e cestinhas de supermercado douradas, na saída, o Caffé Concerto, a pirâmide invertida, não a estrutura do texto jornalístico, claro, a loja da Fossil, uma árvore de Natal bem em frente a escada rolante que dá acesso a “Food Court Rivoli”, a praça de alimentação, com algumas mesas ocupadas ao fundo e várias vazias na frente, onde os funcionários da limpeza trabalham forte, a máquina “Libre service” de Coca-Cola não está funcionando, demos uma olhada no Brioche Dorée, no Pitaya, no French Beer Brasserie, na sorveteria tipo italiano Badiani com seu barbudinho no balcão, no Mc Donald’s, tem totem, mas vai que não vendem só refil, preferimos pegar duas garrafinhas de Coca Zero com as senhorinhas do Brioche Dorée, fazemos um post sobre o Centre Aquatique Olympique para o Instagram, usamos o banheiro, pegamos o atalho para as escadas rolantes, saímos pela entrada lateral, onde o vendedor de nozes se abrigou, uma moça negra dá um pulo na calçada da Rue de Rivoli, onde está um carrinho de crepes, uma pessoa solitária de preto se aventura entre as colunas do corredor de entrada do Museu, preferimos descer pela escada do metrô, chegando a plataforma da linha 1 às 19 horas, para acessar é preciso passar o bilhete na catraca, trem parado, muito movimento de passageiros, escada fixa descendo, corredor, outra escada descendo, corredor, agora a plataforma está cheia, a do lado oposto vazia, fomos sentados, tinha lugar, às 19h05, tomando nota das estações pelo caminho, 19h06, Pyramides, 19h08, Opera, encheu, 19h09, La Fayette, 19h11, Le Peletier, 19h12, Cadet, 19h13, Poissonere (não tinha sabugo no beiral da janela para nos fazer companhia...), paradinha no meio do túnel, 19h16, Gare de L’est, esvaziou, 19h17, Chateau Landon!!!, anúncio do Rum cubano Eminente na plataforma, o trem se vai, escada fixa, corredor, escada rolante subindo, bilheteria, saída, mezanino, escada parada no acesso, a fachada, entramos no hotel às 19h22, lá está o neon, as cadeiras de vime e o pebolim no hall, subimos no elevador, a rosa-dos ventos no hall do quinto andar, as plataformas da Gare de L’est no corredor, chegamos no quarto 19h24, sãos e salvos, avistando o restaurante Bodrum do outro lado da rua pela janela, pegando fotos de dois celulares para fazer a postagem dos ônibus de Saint-Denis, com o sentimento do dever cumprido apesar de não temos mudado, nós e o Agente Secreto, o resultado da final da Copa do Mundo de 1998...
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| E no final do tour, uma visão desconcertante, tem uma filial da Leroy Merlin bem em frente ao Stade de France... |
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