 |
| Asa Branca era atendida pelo Cronossauro da Expresso Imperial, que fazia linha com destino ao Rio de Janeiro... |
No último dia 4 de julho, o canal Globoplay Novelas terminou de apresentar a novela “Roque Santeiro”, uma exibição iniciada pelo Viva em 4 de novembro, para comemorar os 40 anos da estreia da trama escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva e que alcançou tamanho sucesso de público e de crítica que frequentemente é considerada a melhor novela de todos os tempos... A nova reapresentação da história nos permitiu a produção de um “diário visual”, abrangendo todos os 209 capítulos da novela, um por um, registrando personagens principais e coadjuvantes, várias vezes capturamos “frames” de Waldyr Santanna, o Terêncio, também dublador, o primeiro de Homer Simpson, cenários, locações, ações de “merchandising”, que se multiplicaram com o êxito da novela, banco Itaú, caninha 51, lingeries Hope, lojas Ultralar, máquinas de costura Singer, pão Pullman, postos Atlantic, produtos Sadia, entre muitas outras, até o governo de Sergipe colocou um “outdoor” para atrair turistas ao Estado, e especialmente algo que é muito solicitado junto aos colecionadores de gravações televisivas, imagens de ônibus... É verdade que todos os figurões de Asa Branca tinham carro, o poderoso pecuarista Sinhozinho Malta possuía um Landau com chifre no capô e uma F-1000 customizada pela Souza Ramos, que foi presenteada ao ator Lima Duarte após a novela, e ele guarda o veículo até hoje, sua filha Tânia Malta andava pela cidade em um Escort XR3 conversível, a propósito, a Ford, que hoje não monta mais automóveis no Brasil, tinha algum acordo com a produção da novela, porque Sinhozinho Malta e Tânia tinham carros da marca, e não só apenas eles, Zé das Medalhas, o comerciante mais próspero da cidade, às custas da fé do povo em Roque Santeiro, tinha uma Belina, o delegado Feijó fazia diligências com um Corcel vermelho, e o próprio Roque, quando retornou a cidade após anos sendo dado como morto no cerco do bandido Navalhada, origem de um culto que tornou a cidade local de peregrinação em busca de milagres, também adquiriu uma F1000 da Souza Ramos... A lista de veículos não para por aí, a viúva Porcina, amante de Malta e que era sem nunca ter sido a esposa de Roque, tinha um jipe Gurgel XEF e um MP Lafer, o prefeito Florindo Abelha andava com sua esposa Pombinha e sua filha Mocinha, que tinha sido noiva de Roque, em um Opala preto, a “Capivara” Matilde, dona da boate Sexu’s, onde se apresentavam as dançarinas Ninon e Rosali, desfilava pela cidade em um Puma conversível, depois usado pelos seguidores do Beato Salu, pai de Roque e líder espiritual que profetizava a volta de Roque no rabo de uma estrela, na verdade ele veio por outro meio de transporte, mas, enfim, a equipe de produção do filme sobre Roque Santeiro, liderada pelo diretor Gerson do Valle e seu assistente Luizão, tinha à disposição uma Veraneio e depois uma Kombi, o capataz Terêncio dirigia um Jeep Willys que usou para atropelar Odete, testemunha da obscura saída de cena da mulher de Malta, cujos capangas sequestraram o protagonista do filme de Roque, o ator Roberto Matias, que estava flertando com Porcina, usando uma Veraneio, numa ação que lembrava os desaparecimentos políticos da época da ditadura, quando a primeira versão de “Roque Santeiro” foi censurada e proibida de estrear, em 1975, artes do autor Dias Gomes, Aguinaldo Silva, por sua vez, colocou o promotor Prata, que comparece a cidade para investigar uma série de assassinatos ligados ao manutenção do segredo de Roque Santeiro, ou melhor, da farsa em torno do herói, em um Fusca verde bebê, mesmo modelo do táxi da cidade, este era azul, o próprio Roque, dado como morto pelo bando de Navalhada, voltou a Asa Branca numa noite chuvosa dirigindo uma Mercedes, toda essa frota de carros particulares não impede que os ônibus tenham uma participação importante, inclusive no fluxo de romeiros para a cidade, e até, em alguns momentos da trama, decisiva nos rumos de personagens centrais da história... Entre linhas intermunicipais e interestaduais, Asa Branca era servida por quatro empresas: as fictícias Expresso Imperial e Rápido Agreste, que compartilham os mesmos ônibus, cedidos por empresas de fretamento da cidade do Rio de Janeiro, há cenas em que aparece o nome de uma empresa e os telefones de outra; e duas viações de verdadinha, a Itapemirim e a 1001; a princípio, havendo alguma ação de “merchandising” envolvida, é bem discreta, os nomes das viações não são focalizados em tomadas específicas, o da Itapemirim sequer aparece, a empresa é identificada pelas cores do ônibus e a fonte tipográfica do seu número de prefixo, familiares ao público pelo alcance nacional de suas linhas; já no caso 1001, que concentrava suas operações no Estado do Rio, é provável que houvesse algum acordo ou permuta, porque os veículos da companhia são mostrados com destaque na novela seguinte, “Selva de Pedra”, onde o protagonista, Cristiano Vilhena, vem da região de Duas Barras, no interior do Estado, para a capital fluminense…O ônibus que comparece com maior frequência na terra de Roque Santeiro é o Cronossauro, um Ciferal Dinossauro Scania BR115, modelo produzido entre 1972 e 1982, com 275 HP de potência, na verdade, são dois ônibus, com placas diferentes, e que mudaram várias vezes de prefixo ao longo da trama; pelo nome derivado de Dinossauro na lateral, onde também há uma faixa azul logo abaixo da janela, e as chapas de alumínio rebitadas de cor prateada revestindo a carroceria, uma inspiração vinda dos GM Coach estadunidenses, é possível que os ônibus tenham pertencido à Viação Cometa, que costumava vender seus carros com mais de cinco anos de uso, e os novos proprietários, inclusive empresas no Chile e no Uruguai, normalmente faziam poucas mudanças na aparência externa dos veículos, aqui a faixa amarela paralela à azul da Cometa nos anos 1970 e 1980 foi substituída por uma vermelha, um dos ônibus tinha entrada de ar condicionado, o que não era comum nos carros de linha da empresa…Entretanto, o primeiro ônibus que aparece na novela, logo em seu capítulo numero 1, é um Marcopolo III de uma empresa de fretamento, branco com faixas horizontais vermelhas, com a palavra Turismo na lateral e o prefixo 080, que aparece quando Toninho Jiló se aproxima da porta do veículo para oferecer seus serviços de guia turístico e levar os visitantes até a loja de Zé das Medalhas, mediante uma pequena gratificação, que lhe permitiu adquirir uma bicicleta Monark e acumular uma grande quantidade de Barões, quer dizer, de notas de mil cruzeiros com a efígie do Barão do Rio Branco, na época da novela, de inflação em disparada, o salário mínimo subiu de 333 mil para 600 mil cruzeiros, ou seja, a comissão do Zé era, digamos, razoável, e o ônibus voltaria a aparecer em outros capítulos, inclusive no último... A primeira aparição do Cronossauro acontece no capítulo 21, quando comparece em Asa Branca a atriz Selma Sotero, que vai interpretar Mocinha, a noiva de Roque Santeiro, no filme sobre o herói rodado pelo diretor Gerson do Vale, protagonizado pelo galã Roberto Mathias, na hora de desembarcar, ela é esperada pelo assistente de produção, Luizão, na parada de ônibus da cidade, em frente a loja e a churrascaria de Zé das Medalhas, o ônibus não é mostrado por inteiro, apenas o vidro frontal e a porta no momento em que Selma desce do veículo, logo em seguida, Luizão pergunta se fez boa viagem, a atriz tira os óculos e responde, “tá me gozando???, você já viajou aí nessa geringonça, você sabe o que são seis horas comendo poeira e um calor de matar???, maldita hora que eu aceitei esse papel”, Luizão sugere que ela poderia ter vindo de trem, a estação até aparece naquelas sequências de imagens da cidade que servem de passagem entre os diálogos da trama, porém ao longo da novela, nenhum personagem fez trenzinho, digo, além do mais, o assistente quer que ela comece a filmar para ontem e Selma pede um tempo para tomar banho, preocupada em dar no pé logo porque só recebeu uma semana de licença da emissora de TV onde está fazendo uma novela e já foi reconhecida por uma senhorinha, “ai, Luizão, me salva dessas feras!!!, já chega uma dona que veio no ônibus querendo que eu contasse a novela todinha como se eu soubesse, e cala a boca, que eu tô sem o menor saco!!!”, no entanto, quando a mulher e outras fãs se aproximam, ela se prontifica a abraçar e dar autógrafos para todas, e Luizão segurando as malas, sobre o tempo de viagem mencionado por Selma, seis horas, esse detalhe chama a atenção há um questionamento sobre em que Estado ficava Asa Branca, na versão original censurada em 1975, era na Bahia, Sinhozinho Malta falava de sua ida a Salvador, na produção de 1985, a localização não é tão evidente, provavelmente com a intenção dela representar o Brasil todo, embora a cidade seja vizinha de Pouso Feliz, uma referência à cidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais, distante 388 quilômetros e seis horas do Rio de Janeiro, a Viação Cometa, possível origem do Cronossauro, tinha como norma não operar linhas distantes mais de 500 quilômetros da sede em São Paulo, que fica a três horas e 213 quilômetros de Pouso Alegre, ou seja, há alguma chance de Asa Branca ficar na região do Sul de Minas, enfim...
 |
| E os passageiros mais frequentes do Cronossauro eram Marilda, ex de Roberto Matias, e Ronaldo, ex de Matilde... |
A passageira mais ilustre do Cronossauro chegou a cidade no capítulo 44, Marilda, ex-esposa de Roberto Mathias, tinha muitas contas a acertar com o ator, e naturalmente era ela o centro das atenções na cena, não o ônibus, que novamente aparece em partes, a porta por onde Marilda sai, andando paralelamente a lateral do veículo, até avistar um táxi, um Fusca azul daqueles de dar pancada na cabeça, pedindo ao motorista para ser levada na Pousada do Sossego, onde está hospedado Mathias e toda a equipe do filme... O Cronossauro 30, de placa XN3838, aparece de corpo inteiro no capítulo 52, sendo conduzido ao “status” de personagem principal, participando ativamente do plano de Marilda, que parte para o “snuff movie” ao atirar em Roberto Mathias exatamente no momento em que está filmando em frente a igreja matriz de Asa Branca a cena onde Roque Santeiro é assassinado a tiros pelo bando de Navalhada, aqui interpretado pelo delegado Feijó em pessoa, a notícia se espalha pela praça principal da cidade, atraindo para a cena do crime o prefeito e barbeiro Florindo Abelha, sua filha, Dona Mocinha, seu pretendente, o professor Astromar Junqueira, e até as manicures e vedetes Ninon e Rosali, antes que a notícia chegue até a Pousada do Sossego, Marilda pede a conta para Decembrino, ou melhor, pede para debitar a estadia na conta de Mathias, desconfiança de Marilda à parte, e vai correndo pegar o ônibus do Expresso Imperial, impaciente, Marilda vai até o motorista, que está colocando malas no bagageiro situado na lateral do veículo, onde também dá para observar os telefones da empresa no Rio de Janeiro, 280-7122 e 256-0713, perguntar quando o ônibus vai sair, o condutor responde, “vai demorar um pouquinho”, e Marilda decide subir com a mala, é evidente que os números são da empresa de fretamento que alugou o ônibus para as gravações, porque a Expresso Imperial não é uma empresa de verdadinha... De volta a fuga, a ex de Roberto Mathias embarca, acende um cigarro, preocupada mais em escapar do que com a legislação antifumo, e ao ver pela janela a placa junto a um córrego indicado o limite entre os munícipios de Asa Branca e Porto Feliz, Marilda levanta de seu assento e exclama mantendo o cigarro entre os dedos indicador e médio: “Para aí, motorista!!!... Para aí!!!... Calma aí, gente, podem se acalmar que não é assalto não, podem deixar... Dá uma paradinha aí, ô motorista por favor!!!”... O ônibus para, Marilda desce do Cronossauro, vê na estrada um caminhão Mercedes Benz bicudinho azul, faz sinal de carona, pergunta ao carreteiro para onde está indo, ele responde que vai para Belo Horizonte e ela vai junto, despistando o delegado Feijó, que ao saber da fuga e de sua rota mais do que provável, havia pedido a polícia de Pouso Feliz que “grampeasse” Marilda tão logo o ônibus comparecesse na cidade, que coisa, não... Fora de Asa Branca, um Caio Amélia da Viação Vila Isabel, do Rio de Janeiro, todo vermelho, é visto quando Sinhozinho Malta comparece em Copacabana no capítulo 59 para encontrar uma velha amiga, a ex-vedete Amparito, impedindo que ela se enforque dentro do quarto-e-sala onde estava morando, devendo meses de aluguel, e acompanhado o fazendeiro em um leilão de cavalos de raça no Jóquei Clube carioca, antes de seguir com ele para o interior e trabalhar forte na boate Sexus de Matilde, a “Capivara”, também dona da Pousada do Sossego... Outra figura que ganhará importância na história comparece a Asa Branca no Cronossauro 30, desembarcando na cidade a noite, no final do capítulo 67, é Ronaldo César, um antigo amor de Matilde, que Sinhozinho Malta trouxe de Brasília, onde ela também conheceu Ronaldo, conseguindo do padre Hipólito a cessão de um convento desativado para ela montar a pousada e dando o maior apoio na montagem da boate, beatas à parte, Ronaldo vai na direção da churrascaria ao lado da loja de Zé das Medalhas e encontra a esposa dele, Dona Lulu, dando pipoca para os filhos e conferindo a escovação dos dentes, ele pergunta a ela onde fica a Pousada, ele quer encontrar Matilde, ela desenvolve uma fixação pelo forasteiro mais forte que a reza com seu marido, e que vai leva-la a um encontro casual e explosivo... num ônibus!!!... O Marcopolo III que Toninho Jiló recebeu bem no comecinho da
novela retorna no capítulo 69, branco com listras vermelhas na lateral e o
prefixo 80, logo depois da passagem de um caminhão de entregas da Pullman com
um anúncio de “croutons” na lateral do baú, devemos dizer, sem medo do
“spoiler”, que essa cena do ônibus de turismo trazendo romeiros é
“stock-footage”, pois reaparece no último capítulo da trama, mais uma vez, Jiló trabalhava forte com os visitantes recém-chegados, inclusive com um intérprete que traduzia toda sua explanação sobre Asa Branca e Roque Santeiro para o francês, interpretado pelo ator Denny Perrier, nascido em Paris... Marilda retorna
a Asa Branca no capítulo 74, de ônibus, naturalmente, descendo de um monobloco
Mercedes Benz toda vestida de preto e encontrando seu ex Roberto Mathias em
meio a uma filmagem interrompida por razões de que acabou o filme na câmera... Mais adiante, no capítulo 112, o próprio Jiló ajuda três belas visitantes – e um homem calvo, de sobrancelhas grossas, camisa aberta no peito e capanga – a desembarcarem do Cronossauro 130 da Expresso Imperial, no capítulo 112, começando seu trabalho forte de guia turístico no momento em que o ônibus para em frente ao “outdoor” que se tornou ponto de referência na cidade, “Uma boa ideia tem número”, um anúncio da famosa aguardente Caninha 51, produzida na região de Pirassununga, quer dizer, não tanto quanto aquela propaganda de “lingerie”, “Hope, A Calçola que Mexe com a Cabeça dos Homens”, apreciada até pelo cego Jeremias, sem contar que o “point” de Asa Branca era o posto Atlantic, onde o pessoal do cinema ia abastecer o carro da produção, uma Kombi e depois uma Veraneio, Padre Albano calibrava o pneu de sua moto, Zé das Medalhas vinha com sua Belina, delegado Feijó passava com seu Corcel vermelho, e por aí vai... Sinhozinho Malta prefere ir mais longe e realiza uma viagem a Dallas, nos Estados Unidos, que começa no momento em que encontra com a Viúva Porcina no aeroporto do Galeão, e nem estamos no final da novela, e os dois, que estavam separados por razões de Roque, comparecem “na terra de Ronald Reagan” entre os capítulos 117 e 122, Malta para negociar bois com JR Ewing, mesmo sabendo que o negócio dele é petróleo, Porcina para experimentar a famosa coxa de brontossauro, quer dizer de peru, numa feira agropecuária, e também seu guia de viagem e motorista, que não está muito a fim de conhecer o “instrumento” usado para fazer a castração dos touros, em meio a todos os compromissos, no capítulo 120 aparece um ônibus urbano de Dallas, o carro 1074 da Dallas Area Rapid Transit (DART), na cores amarela e branca... De volta ao Brasil, a parada de ônibus de Asa Branca estava bastante movimentada no capítulo 124, o diretor de cinema Gerson do Vale e seu fiel produtor Luizão recebem um polpudo cheque, naquele tempo não havia pix, do Seu Duarte para financiar o filme da vida de Roque Santeiro, ou seja, dele próprio, correm para a agência do banco Itaú da cidade para abrir uma conta e depositar o cheque, Gerson conversa com o gerente e Luizão se entende com a moça do caixa, e em seguida se apressam para pegar o carro 130 da Expresso Imperial, placa XN3838, com destino ao Rio de Janeiro, mas quando estão subindo no ônibus veem o ônibus monobloco Mercedes Benz O355, com a pintura de faixas orientais em dourado amarelo e branco, característica da Itapemirim nas décadas de 1970 e 1980, de prefixo 1287, parar em frente ao outdoor da Caninha 51, e acompanham o desembarque de uma figura que lhes é bastante familiar, Marilda, há tempo até dela saber que os dois estão de saída para o Rio, dizer que “o tempo lá tá ótimo” e desejar boa viagem, pois precisa comparecer com urgência na Pousada do Sossego para colocar o assunto em dia com Roberto Mathias, justamente quando Sinhozinho Malta também foi procurar pelo ator para perguntar porque acabou-se tudo com sua filha Tânia Malta sem o seu conhecimento, o resultado está ficando mais difícil... O Ciferal Dinossauro placa XN3838 Scania BR115, com o prefixo 80, comparece em Asa Branca no capítulo 149 não fazendo a linha do Rio de Janeiro, “sino” trabalhando forte no fretamento, sem o nome da Expresso Imperial na frente, apenas na lateral, trazendo mais um grupo de visitantes para conhecer a terra e os milagres de Roque Santeiro, um a um os passageiros vão saindo pela porta do veículo, onde está desenhado um elegante homem de negócios com sua mala de viagem, enquanto Toninho Jiló acreditou que iria faturar alto com o grupo, “eita que tá chegando uma romeirada danada, hoje que eu vou lavar a burra!!!”, coincidentemente aqueles homens e mulheres tinham exatamente a mesma ideia, pois promoveram um arrastão na loja de Zé das Medalhas, roubando tudo o que estava à mão, baseado em fatos reais que aconteceram de verdade na região de Aparecida, ao mesmo tempo em que Roque comemora seu aniversário na igreja de Padre Albano em Vila Miséria, seu pai, o Beato Salu, ocupa a prefeitura com seus seguidores, fazendo o prefeito Florindo Abelha e sua filha Mocinha de reféns, e Sinhozinho Malta se acaba na seção de brinquedos da loja Ultralar que abriu recentemente na cidade, agora vai...
 |
| E numa viagem que fez pelo Rápido Agreste, Ronaldo sentou ao lado de Dona Lulu, a senhora Zé das Medalhas... |
O Cronossauro volta ao serviço regular no capítulo 157, sem a identificação do Expresso Imperial, e com o prefixo 70, onde Dona Lulu vai embarcar com destino a cidade vizinha de Pouso Feliz, para encontrar os filhos, levada pelo marido, Zé das Medalhas, que se despede com um beijo, porém ao ver que Ronaldo César, velho conhecido de outras investidas em cima de sua “conje”, também embarcou no ônibus, resolve entrar, a pretexto de entregar o presente das crianças, momento em que Ronaldo se esconde atrás de uma poltrona, Zé volta para a loja e vê o Cronossauro sair, ainda desconfiado, e quando Toninho Jiló confirma que o dono do cassino clandestino de Asa Branca também está no veículo, decide seguir o ônibus com sua Belina azul, durante a viagem, Ronaldo senta no banco ao lado de Lulu, dizendo estar surpreso com sua viagem a Pouso Feliz, e pega em sua mão, na estrada, o carro de Zé ultrapassa o ônibus, sendo possível ver que na traseira está escrito Mimi Tour Rio de Janeiro Turismo, além do número 70, e no teto a saída do ar-condicionado, item que na época era mais comum em ônibus de fretamento e, no caso específico do Rio, nos "frescões" da capital fluminense, Lulu rechaça a proposta para ficar com Ronaldo, o Cronossauro chega em Pouso Feliz, no para-choque dianteiro está a placa LW4240, do Rio de Janeiro, e Zé das Medalhas já estava esperando a esposa para levar ela de volta a Asa Branca, sem esquecer de reencontrar os filhos, pois é, não é... Ronaldo na verdade ia para o Rio de Janeiro, resgatar Navalhada, e havia comprado passagem “no primeiro ônibus” no guichê do Rápido Agreste, ou seja, Pouso Feliz era caminho, sem encontrar o bandido no Rio, Ronaldo retorna a Asa Branca no capitulo 159, claro que no Cronossauro, que volta a ostentar o nome do Expresso Imperial na frente, desta vez o carro 80, ao desembarcar, encontra com Marilda, que está de partida após tentar se matar na frente de Roberto Mathias, ao levar a mala para o motorista colocar no bagageiro, logo acima do nome da empresa fixado de forma improvisada na lateral do veículo, também é visível que cobriram o nome da Scania, fabricante do chassi do ônibus, BR115, e da Ciferal, produtora da carroceria, ela fala para Ronaldo, “tô indo embora mais uma vez desse fim de mundo”, e sugere que faça o mesmo, o que não está nos planos de Ronaldo, “mas agora que vai ficar com”, acreditando que um pouco de perseverança faria bem a ela, quem sabe na próxima, diz Marilda, melhor avisar Mahias antes... Ops!!!... A última aparição do Cronossauro acontece no capítulo 176, quando Toninho Jiló chega junto ao ônibus não para abordar os romeiros, “sino” para falar com Maria Igarapé, uma das mulheres da Rua da Lama, que havia descoberto o dossiê que Roque produziu sobre os desmandos de Sinhozinho Malta em Asa Branca, o qual lhe rendeu ameaças de morte, o veículo desta vez faz a linha Asa Branca-Salvador, um letreiro escrito à mão, e ao ser surpreendida por Jiló, Maria encosta no ônibus e conta que vai voltar para sua terra, “acho que aqui já deu tudo que tinha pra dar”, ao que Toninho responde de forma irônica, bem do lado da parte onde está escrito Cronossauro, “é isso aqui ou tu que já deu o que tinha que dar, hein???”, Maria Igarapé fala que nunca deu nada, não deu confiança, não tem nada com a vida dela e Jiló acredita que “esse povo de Asa Branca tá cada dia mais abilolado”... No capítulo 191, o ônibus monobloco Mercedes Benz O355 da Itapemirim, fazendo a linha Rio-Asa Branca volta a parar em frente ao “outdoor” da Caninha 51, “Uma boa ideia tem número”, e Toninho Jiló começa a falar para os passageiros que desembarcam, entre eles Ângela Flores, a nova atriz contratada para fazer o papel de Dona Mocinha no filme sobre Roque Santeiro, então é por isso que ela é resgatada da palestrinha de Jiló pelo assistente de produção Luiz Cláudio, mais conhecido como Luizão, e a continuísta Carla, e Angela fica feliz em ver os dois, pois estava com um certo receio de comparecer numa cidade desconhecida, “tinha uma gente tão esquisita nesse ônibus”, Carla a tranquiliza dizendo que são romeiros e turistas, a Itapemirim operava linhas interestaduais mais longas que a Cometa, o que contaria pontos para a hipótese de Asa Branca ficar no Nordeste ... Por falar em pessoas esquisitas, o bandido Navalhada, que matou Roque Santeiro durante o cerco de seu bando a Asa Branca, retorna à cidade no capítulo 198, convertido e disposto a confessar seu arrependimento pelo crime cometido, mas logo percebendo que Roque está vivo e terá de matar ele mais uma vez, digo, a chegada acontece em uma noite chuvosa, o ônibus é da linha Rio-Asa Branca, porém o modelo e a empresa são diferentes, desta vez quem comparece na praça da matriz é um monobloco Mercedes Benz O364 da empresa 1001, numa tomada do alto, dá para ver o prefixo com o qual foi registrado do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro, o DETRO, 108.271, e numa cena mais de perto, mostrando o desembarque de Navalhada e dos outros passageiros, aparece o logotipo da empresa na parte frontal do ônibus, na manhã seguinte, o mesmo veículo é visto do alto, percorrendo a praça, e sua pintura amarela com faixas horizontais em tons de azul, bem como o logo na lateral, pode ser visto por inteiro, em seguida, enquanto Navalhada perambula entre as barraquinhas, vê Toninho Jiló falando de Roque Santeiro para um grupo de visitantes em frente ao ônibus e logo depois, já incomodado com o que viu, avista as filmagens da película sobre Roque e fica mais atordoado, e pensar que naquela noite Roque havia sonhado com Navalhada... No último capítulo, Lulu vai embora de Asa Branca com os filhos, para a casa de uma tia, e deixa Zé das Medalhas sozinho com Marieta, sua nova máquina de cunhar medalhas, ela chega no local de embarque e desembarque de ônibus da cidade, em frente a loja e a churrascaria pertencentes ao marido e entrega as malas para serem colocadas no bagageiro pelo motorista do ônibus, um Ciferal com janelas inclinadas e a pintura da 1001, logo depois de deixar as bagagens, Lulu avista desembarcando do ônibus Marilda, a própria, que toma um táxi para a Pousada do Sossego, onde mostra para o ex-marido o livro que acaba de escrever, “Minha Vida com Roberto Mathias”, enquanto, o delegado Feijó se despede de Ninon na boate Sexu’s e também vai pegar o ônibus onde já estão Lulu e os filhos, nesse caso com a esposa, pois foi transferido por influência de Sinhozinho Malta para a cidade de Saramandaia, que fica em Pernambuco, apesar do veículo fazer a linha Asa Branca-Rio, inclusive quando o casal embarca inclusive aparece o número de registro no DETRO fluminense, RJ 108.066, a viagem começa e tanto Feijó como Lulu são focalizados nas janelas do ônibus, que são retas, sim, porque eles estão em outro veículo, com as mesmas cores da 1001, mas de outra marca, um Marcopolo, e pensar que a aquisição da Ciferal pela Marcopolo aconteceu em 2001, ano em que a novela estava sendo reprisada no Vale a Pena Ver de Novo... A propósito, o último ônibus de Roque Santeiro também é um Marcopolo, depois de Roque ter embarcado em um avião e deixado Viúva Porcina ficar com Sinhozinho Malta (e Rodésio...), o movimento na praça principal de Asa Branca é mostrado como se nada houvesse acontecido nos últimos meses e o venerado mártir da cidade não houvesse retornado em segredo, assim, em meio as barraquinhas com artigos religiosos, um Marcopolo III chega à praça da matriz com mais uma leva de romeiros, sendo possível observar seu prefixo, 080, ou seja, é o mesmo ônibus que Toninho Jiló abordou no primeiro capitulo comparece em Asa Branca no fim da história, que coisa, não...
 |
| No último capítulo, Lulu deixou malas em ônibus de janelas inclinadas e se foi de Asa Branca no de janelas retas... |
Nenhum comentário:
Postar um comentário