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| Reaproveitamento sistemático em geral poupava seis capítulos por novela, mas de Os Gigantes restaram só dois... |
“A primeira admissão oficial da incompletude destas obras só se deu ao final do ano de 2023, quando o então diretor de produtos digitais e canais pagos do Grupo Globo, Erick Bretas, anunciou o ‘Projeto Fragmentos’, no qual 28 novelas teriam seus capítulos remanescentes publicados na Globoplay a partir de janeiro de 2024... Porém, em nenhum momento é deixado claro que o descarte de boa parte destas foi regrado e necessário em razão de obstáculos na importação de videotapes: o próprio comercial de divulgação do Fragmentos sugere, já em sua primeira frase, que a destruição se deu exclusivamente pelo fogo”... Assim foi relatada a notícia que abalou a comunidade das “lost medias” nas redes sociais na monografia de graduação em produção editorial de Gabriel Saturno, “O vídeo é uma fantástica máquina do tempo: A preservação e a rememoração do arquivo de entretenimento da Rede Globo”, apresentado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, em 7 de outubro de 2024... Ao refazer o histórico do acervo da Globo, que reúne um número estimado de 750 mil mídias, entre a sede na região do Jardim Botânico, os Estúdios Globo, ambos no Rio de Janeiro e as instalações em São Paulo, o pesquisador elaborou uma lista dos programas de entretenimento, com destaque para as novelas, mas também incluindo “game-shows”, humorísticos, infantis, minisséries, musicais e seriados, existentes na íntegra ou fragmentados, juntando informações colhidas nos depoimentos de profissionais que atuaram no setor de arquivos da emissora, hoje conhecido como Logística de Mídias, e de integrantes da produção do “Vídio Xô”, que sempre estiveram muito próximos de todo o acervo e travando contato com suas perdas, uma relação que causou consideráveis controvérsias entre os noveleiros das redes sociais, mais pela falta de compreensão de que se tratava de um levantamento extra-oficial, e que parte das informações poderiam não ser confirmadas pelas novas tramas a serem introduzidas no Projeto Fragmentos e menos pela pesquisa apresentar uma visão mais ampla sobre o descarte de arquivos na emissora... Saturno reuniu as estimativas sobre os danos causados pelos incêndios da Globo, na emissora de São Paulo, em 1969, em que se perderam produções originais, videotapes dos programas Mister Show, Oh!!! Que Delícia de Show!!!, Discoteca do Chacrinha, Concertos Para Juventude e Amaral Neto - O Repórter, e fitas das novelas A Ponte dos Suspiros, dois capítulos, Rosa Rebelde, nove capítulos, e A Cabana do Pai Tomás, 20 capítulos inciais, e estrangeiras, 200 desenhos animados, 30 longas-metragens, seis lotes de séries estadunidenses e 39 capítulos de National Kid, e da sede da emissora na região do Jardim Botânico, no Rio, em 1971, em que 120 fitas teriam sido consumidas pelo fogo, com “capítulos de diversas telenovelas” e musicais de Tom Jones, B. J. Thomas e Johnny Hallyday, entre outras atrações, e em 1976, onde apesar de todos os esforços para resgatar os teipes, a perda foi de 800 fitas, o que inclui “capítulos de diversas telenovelas”, as primeiras 35 edições do Fantástico e episódios de Vila Sésamo, embora haja imprecisões sobre o que foi recuperado ou não, chegou a ser anunciada a perda de 40 capítulos da novela O Espigão, e hoje se sabe que a trama esta preservada na íntegra, com exceção de um capítulo não recuperado de um total de 150, e entrou no Projeto Resgate da Globoplay em abril de 2024... Todavia, o reaproveitamento de fitas por razões econômicas acontecia aconteceu antes, durante e depois dos incêndios, e tem sua primeira evidencia documental na matéria “Novelas Brasileñas”, publicada pela revista Veja em 23 de agosto de 1972, o texto, que falava da intenção do diretor-geral da Globo, Walter Clark, de comercializar teipes de novelas da emissora no exterior, e não apenas os textos, como no caso de Irmãos Coragem, vendida para a Panamericana TV do Peru e produzida pela Televisión Independiente de México (TIM), a mesma emissora onde começou o programa Chespirito e surgiram Chapolin e Chaves, com o título de Hermanos Coraje, o negócio esbarrava na dificuldade de dublar o material, a MAGA, que desenvolveu toda uma “expertise” na dublagem em videoteipe, surgiria apenas no inicio da década seguinte, atendendo as emissoras de Silvio Santos, e na indisponibilidade de acervo, “praticamente todos os tapes das novelas passadas foram ‘apagados’, uma vez que a hora de fita virgem custa 800 cruzeiros e as emissoras reaproveitam-nas por questões de economia”, não por acaso o levantamento sobre o estado atual das produções de entretenimento da Globo feito na pesquisa começa em 1970, porque antes disso, quase nada sobrou dos cinco primeiros anos de atividade da emissora, inaugurada em 26 de abril de 1965... O início efetivo das exportações de novelas, com a estreia de O Bem Amado na TV Monte Carlo do Uruguai, em 1976, e na Spanish International Network (hoje Univision, do grupo Televisa) em 1977, permitiu a preservação de novelas por meio da elaboração de versões internacionais, normalmente com mudanças tempo de cada capítulo e no total de episódios, um trabalho feito pela Divisão Internacional da emissora, de onde vem a sigla DPI, dada a essas edições das tramas, com um forte trabalho detalhado de acompanhamento das fitas que era feito manualmente, por meio de um formulário conhecido como Ficha de Acompanhamento de Fita (FAF), que associavam à Frente Ampla do Menguinho, um movimento ocorrido no clube carioca durante o final da década de 1970 para incentivar o trabalho dos arquivistas... De início a gravação de programas era feita em fitas Quadruplex de 2 polegadas, Ampex e Scotch, em formato de rolo, pesadas e caríssimas, depois vieram as fitas helicoidais e em cassete U-Matic, produzidas pela Sony, em 1982 foram introduzidas as fitas de rolo de 1 Polegada Type C, da Ampex e da Sony, em 1986 aparec o formato Betacam SP, e em 1995, o Digital Betacam, também da Sony, momento em que as Quadruplex serviam apenas para arquivo... A catalogação das fitas ganhou um sistema informatizado em 1988, o SISVT, todos os teipes eram rebobinados a cada três meses, para evitar oxidação, e o armazenamento do Arquivo de VT, que inclui todas as produções da área de entretenimento, foi parcialmente transferido em 1996, quando já estava com cerca de 15 mil mídias, para um galpão na região de Bonsucesso, e mais tarde reunido nas dependências do Projac, hoje Estúdios Globo, na região de Curicica... Na época das Quadruplex, o reaproveitamento de fitas era realizado por um setor chamado Recortec, nome da máquina que verificava a qualidade dos teipes e os apagava para um novo uso, a prioridade do serviço eram as fitas “takes”, que continham as gravações brutas das cenas de novelas e outras atrações, sem edição, os capítulos e programas finalizados eram remetidos para o acervo, no entanto, entraram no que é chamado pelo autor de trabalho de “reaproveitamento sistemático” logo no início da década de 1980, ou como diz um dos responsáveis pelo arquivo na época, Edson Pimentel, “Nós tivemos um problema que me causa uma certa tristeza, ainda, porque em um determinado período, a gente tinha um órgão que chamava-se Cacex (...) e que houve um bloqueio de possibilidade de importação... Então, ao longo de um período, nós tivemos que apagar alguns conteúdos muito importantes, que seriam relevantes hoje, que seriam negócios hoje, por conta de que você precisava de fita para gravar... Então você tinha que apagar, sacrificar conteúdos, para gravar o que precisava ir ao ar... Então, a gente também apagou (...) Foi algo muito sofrido para todos que tiveram que assinar esse documento, o Bofão na época não tinha outra alternativa... O Bofão já tinha essa visão de futuro de que isso seria um conteúdo relevante, né, mas não tinha outro jeito... ‘Como é que nós vamos gravar’, né? Não tinha outra alternativa”... O processo, que ganhou o nome de “Regra dos Seis”, já conhecido por referências em matérias na mídia especializada sobre televisão e assumida oficialmente pela Globo com o início do Projeto Fragmentos da Globoplay, foi descrito por Gabriel Saturno da seguinte forma, “Especificamente em telenovelas, uma seleção de cerca de três dezenas de folhetins, em razão das dificuldades envolvidas no processo de importação de fitas, teve o maior volume de mídias reaproveitado, mantendo, dessas produções, uma cota sistemática de seis capítulos, dividida em três pares: os dois capítulos iniciais, os dois capítulos intermediários e os dois capítulos finais, como uma forma de ‘preservar, pelo menos, um pouquinho da história’”, o próprio Pimentel explica “O critério na época foram aquelas novelas que tiveram menos aceitação, que a audiência não foi tão boa, que a temática talvez não tenha tido uma grande aceitação do público... Mas foi dolorido... Foi muito dolorido”... O pesquisador elaborou uma lista de 30 novelas que tiveram fitas reaproveitadas entre 1980 e 1985, a partir de informações de profissionais que atuaram no Arquivo de VT da Globo e de ex-integrantes da equipe do “Vidio Xô”, que inclui novelas das seis, Vejo a Lua No Céu, O Feijão e o Sonho, À Sombra dos Laranjais, Sinhazinha Flô, Gina, Memórias de Amor, Marina, As Terras do Sem Fim e Voltei Pra Você, das sete, Uma Rosa com Amor, Carinhoso, Corrida do Ouro, Bravo!!!, Estúpido Cupido, Sem Lenço Sem Documento, Chega Mais e O Amor é Nosso, das oito, Fogo Sobre Terra, Duas Vidas, Espelho Mágico, Os Gigantes, Coração Alado, Brilhante, Sol de Verão e Champagne, e das dez, Nina, O Pulo do Gato, Sinal de Alerta e Eu Prometo... Ao olhar a lista, é perceptível que as novelas em preto-e-branco, especialmente no horário das sete, foram menos poupadas, mesmo que tenham feito sucesso, como Estúpido Cupido, uma perda muito sentida pelo pessoal do Vidio Xô, ou ainda fossem reprisadas, caso de Uma Rosa com Amor, reapresentada pelo TV Mulher em abril de 1980... Pimentel comenta, “Foram aos pouquinhos... Primeiro se definiu uma quantidade na esperança que gradativamente esse assunto fosse sendo resolvido, as importações fossem reestabelecidas, e aí ia apagando aos pouquinhos, só o que era necessário mesmo, e acabou que muita coisa que era para ser apagada não foi (...) Eu acho que os incêndios causaram muito mais estragos nessa preservação e nesse acervo da Globo, do que propriamente nesse episódio”, e a monografia cita não só apenas prováveis vítimas dos incêndios, por exemplo, Os Ossos do Barão, o Rebu, Helena e O Grito, como outras que teriam mais capítulos preservados, grupo que inclui Nina, O Pulo do Gato, Sol de Verão e Voltei Pra Você, o que não se confirmou para as duas últimas tramas quando entraram no Projeto Fragmentos... Também há novelas que escapam da “Regra dos Seis”, como Os Gigantes, com apenas dois capítulos preservados, o primeiro e o último, o que causou grande consternação nos grupos de “lost medias” das redes sociais quando a Globoplay disponibilizou a trama em março de 2024, nem as cenas de bastidores que o Viva mostrou no especial de Roberto Carlos de 1979 serviram de compensação, e um caso “sui generis”, o de O Amor é Nosso, de 1981, da qual não sobrou nenhum dos 155 capítulos gravados em fita Quadruplex, restando apenas a abertura, sem créditos, um “teaser” e uma chamada da estreia que o Rixa do “Vidio Xô” encontrou em uma de suas idas ao departamento de promoções da Globo, que ficava perto da produção do programa, fonte também das chamadas de outras novelas completamente desaparecidas dos arquivos, como O Primeiro Amor, O Bofe, O Semideus e Cavalo de Aço, o mesmo Rixa também teria testemunhado, primeiro anonimamente numa reportagem de O Estado de São Paulo, e depois falando ao autor da pesquisa, que viu uma empilhadeira levando as fitas de O Amor é Nosso para o Recortec, onde foram simplesmente apagadas, fato que o deixou inconformado, “Essa é uma novela ruim, obscura, esquecível, mas toda novela, todo trabalho tem alguma coisa para você extrair dali... Tinha Fábio Jr., Myrian Rios, Stênio Garcia como padre, se não me engano... Padre apaixonado... E tinha participação especial do Roberto Carlos, que na época era namorado da Myriam Rios... E aí, perde-se... Apaga-se isso, então você não tem nem como o ‘Vídeo Show’ mostrar... Parece que o Fantástico, se não me engano, na semana em que o Roberto Carlos participou, como era o Roberto Carlos, eles passaram um trecho e esse trecho ainda existe”, e não esqueça da Narizinho, do Pedrinho e do Pixote, ou seja, de Rosana Garcia, Júlio César e Fernando da Silva Ramos... Depois que Erick Brêtas admitiu a perda total da novela, no final de 2023, respondendo a um usuário do X, surgiram alguns trechos da trama surgiram no YT, principalmente participações da cantora Marlene, que interpretava Maíra, uma cantora experiente que tenta retomar a carreira, isso graças a um fã que gravou a novela inteira em fitas Betamax, e postou trechos que sobreviveram a ação do tempo e conseguiram ser digitalizados...
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| E uma perda muito sentida na produção do Vidio Xô foi Estupido Cupido, com Antônio Patiño, também dublador... |
Em 1994, começou o “Projeto Quadruplex”, ou “Recuperação de Conteúdo Produzido”, para converter o conteúdo de 19.000 fitas Quadruplex de 2 polegadas para fitas de 1 polegada, porque as ilhas de edição no formato de 2 polegadas estavam sendo desativadas e havia dificuldades crescentes de manutenção e reposição de peças dos equipamentos que ainda restavam, entretanto, a opção pela cópia para 1 polegada se deveu a uma questão de custos, pois era mais barato converter de um formato analógico para outro do que converter para o Digital Betacam, apesar da perda de qualidade da imagem ser maior, e devido ao estágio de conservação das fitas, os envolvidos no projeto logo constataram que a iniciativa deveria ter começado antes, durante o processo houve algumas perdas de capítulos de novelas, como por exemplo, Jogo da Vida, de 1981... Os primeiros teipes que passaram pelo projeto foram os do humorístico Os Trapalhões, gravados entre 1977 e 1986, por razão das reprises iniciadas em janeiro de 1994, e a atração sempre teve grande audiência inclusive com as reapresentações, e essas exibições, que se estenderam com algumas interrupções até agosto de 2000, gravadas em VHS e digitalizadas principalmente com o surgimento do Youtube em 2005, passaram a constituir a maior parte do acervo da atração disponível na internet, mesmo porque o canal Viva exibiu apenas os programas exibidos originalmente entre 1988 e 1995, com vários cortes referentes a questões de direitos, então é por isso que os programas realizados até 1987, ou quadros excluídos da exibição do Viva não tomam “strike” no YT... Em 1995, surgiu a ideia de preservar as novelas em compactos de 60 capítulos, o consultor da Globo, Mauro Alencar, chegou a ser designado para o trabalho de edição, recebendo “uma lista com 30, 40 novelas”, Mauro apontou a importância da preservação das produções na íntegra, e a questão foi levada aos altos escalões da emissora, que voltaram atrás, também por razões de ordem técnica, o equipamento estava quase obsoleto e mal tinha condições de fazer cópias das Quadruplex... No entanto, em 1999, o projeto foi encerrado, quando havia cerca de 2.000 fitas para serem convertidas, referentes a novelas que possuíam versão internacional (DPI), em formato de 1 polegada que, segundo um levantamento feito pelo pesquisador junto a “insiders” da Globo, incluía as novelas Cabocla, de 1979, Ciranda de Pedra e Plumas e Paetês, de 1981, Final Feliz, de 1982, Vereda Tropical e Corpo a Corpo, de 1984, e Ti Ti Ti, de 1985, algumas produções não foram incluídas nessa seleção e se perderam na mudança dos arquivos da emissora de um galpão na região de Bonsucesso e da sede do Jardim Botânico para o Projac (hoje Estúdios Globo), na região de Curicica, o que é o caso de Chega Mais, de 1980, e no dia 24 de novembro de 2024 a novela Sinhazinha Flô, de 1977, foi disponibilizada no Projeto Fragmentos da Globoplay com seis capítulos restantes dos 82 originais, apesar da monografia mencionar que a trama está preservada na íntegra em versão internacional... Por fim, entre 2007 e 2016 teve início o Projeto Resgate 1 Polegada, “com foco na recuperação, restauração, digitalização, catalogação, distribuição e ‘backup’ do conteúdo”, eliminando imperfeições nas imagens a serem preservadas no formado Betacam digital e LTO, este usado para cópias de segurança, uma iniciativa que tornou viável a criação do canal Viva em 2010... Anos antes, em 1998, segundo matéria do jornal O Estado de S.Paulo resgatada pelo pesquisador, a Globosat tentou lançar um canal de novelas, porém esbarrou na limitada disponibilidade de acervo, com apenas 12 tramas produzidas na década de 1970 disponíveis para exibição, na íntegra ou em compactos, o próprio Viva relutava em não exibir produções que não estivessem preservadas integralmente, uma exceção à norma foi Dancin’ Days, em 2014, que teve seus 174 capítulos remontados a partir da DPI e de episódios obtidos no Projeto Resgate 1 Polegada, os quais sobreviveram ao fim do Projeto Quadruplex, em 1999, na verdade, a emissora só deixou de lado o preconceito contra versões internacionais de fato quando a Globoplay começou o Projeto Fragmentos em 22 de janeiro de 2024, com as novelas O Rebu, de 1974, Estúpido Cupido, de 1976, Chega Mais e Coração Alado, ambas as duas de 1980, foi então que o canal criou coragem e programou Corpo a Corpo em junho de 2024, em alguns capítulos aparecia no final TV Globo Brasil ao invés de Central Globo de Produção, e Plumas e Paetês, que a substituiu em janeiro de 2025... A pesquisa também faz um levantamento do que está disponível de outros formatos de programa no arquivo da Globo, a partir de depoimentos de Beatriz Coelho e Silva, Bruno Weikersheimer e Rixa, entre os programa de humor, as perdas são consideráveis, restando um programa Faça Humor, Não Faça A Guerra (1970 a 1973), cerca de uma dezena de episódios da primeira versão de A Grande Família (1972 a 1975), que foram a base para os capítulos iniciais da versão iniciada em 2001, dois Satiricom (1974 a 1975), duas edições da Praça da Alegria (1977 a 1978), um episódio das séries Kika & Xuxu (1978) e um de Superbronco (1979), mesmo programas com mais edições preservadas tem pouco material disponível, como O Planeta dos Homens (1976 a 1982) e Chico City (1973 a 1979), este último com nove programas apresentados pelo Viva em 2016, apesar do primeiro, de 1973, em preto-e-branco, ter sido disponibilizado apenas no “streaming” do canal, portanto, o caso de Os Trapalhões, que tem todos os programas preservados de 1977 a 1995, é uma espantosa exceção, motivada pelas reprises colocadas no ar em 1994, quando a direção da Globo decidiu das uma pausa na produção do humorístico, que entrava em férias durante três meses no início de cada ano e as reapresentações davam uma excelente audiência, o que ajudou ainda mais na preservação... Na década de 1980, a situação apresenta poucas melhoras, o Viva o Gordo (1981 a 1987), dos três primeiros anos têm basicamente o primeiro e o último programa, há mais episódios disponíveis de 1984 e 1985, quase tudo de 1986 foi mantido e somente a temporada de 1987 está completa, por coincidência a única mostrada pelo Viva, o que deve ter sido ajudado pela digitalização das fitas de 1 polegada do arquivo, Globo entre 2007 e 2016, mesmo caso do Cassino do Chacrinha e do Globo de Ouro, onde os programas exibidos pelo canal foram produzidos de 1987 em diante (posteriormente a Globo obteve programas do acervo pessoal do diretor do Cassino do Chacrinha, seu filho Leleco Barbosa...), o próprio levantamento de Saturno sobre o estado das novelas globais termina com Mandala, também de 1987... Estúdio A... Gildo (1982), está quase completo, embora nada tenha restado dos programas que Agildo Ribeiro estrelou entre 1968 e 1971, inclusive o Mister Show, com o ratinho Topo Gigio, Balança Mas Não Cai (1982 a 1983) possui cerca de três programas remanescentes, seu sucessor no domingo à tarde, A Festa é Nossa (1984), só tem um episódio preservado, e Humor Livre (1984) foi salvo graças as cópias um U-Matic para o arquivo paralelo do Vidio Xô, que aproveitava muito os esquetes, por exemplo, no Túnel do Tempo... No caso de Chico Anysio, o primeiro Chico Total, de 1981, tem o programa de estreia preservado, no YT postaram o especial gravado no Carnegie Hall, em Nova Iorque, Jota, corre aqui, o Chico Anysio Show, que estreou em 1982 e foi apresentado até 1980, “os três primeiros anos são escassos; os anos intermediários, de 1985 a 1987, já são mais volumosos em conteúdo preservado, ainda que não completos”, e está preservado na íntegra a partir de 1988, possivelmente quando aposentaram as fitas Quadruplex, e outra vez é esse o ponto inicial da breve exibição do Viva, no final de 2017, quando foi possível descobrir que o Seu Peru não começou com o Professor Raimundo, “sino” com o bicheiro Oswaldão, e nesse ponto, quem tem Globo Portugal pode ver a temporada inteira... Por falar no Cabecinha, é Chico, juntamente com Maurício Sherman, o autor de uma teoria citada no texto por uma dos entrevistadas, Beatriz Coelho Silva, que foi redatora do “Vidio Xô”, sobre os fatores que ajudaram a aumentar a preservação de programas, associando-a com a inauguração da TV Manchete, em 1983, “Até o Adolpho Bloch ir ao Japão comprar uma emissora de televisão inteira, desde as torres de transmissão, equipamento, câmera e fita, não se acreditava, e não havia interesse da indústria estadunidense de que o Brasil tivesse uma indústria forte de audiovisual... Eles queriam vender as séries deles, as coisas deles.... Então, fita de gravação, que você tinha a UMatic, aquela outra, Quadruplex, grande, essas fitas custavam muito caro e eram difíceis de chegar aqui no Brasil... Então, o que que acontecia, o Chico Anysio falava, por exemplo: muita coisa do ‘Chico Anysio Show’ - porque o Chico Anysio foi a primeira pessoa que usou videotape no programa - se perdeu não porque a gente não desse importância, mas ou você gravava em cima, ou não tinha programa novo... Então não é que eles não dessem importância: é porque não tinha... Aí quando o Bloch mostrou que havia um mercado para isso no Brasil, os estadunidenses não queriam perder o mercado para a Sony, do Japão... Então ficou mais fácil”, faz sentido, a entrada dos japoneses no mercado de equipamentos de televisão barateou custos, e as mídias digitais aumentaram as possibilidades de armazenamento das produções, num meio em que a lógica de economizar isopor para potencializar os lucros é dominante desde sempre, o que não impede ocorrências de mídias perdidas, como os capítulos de Alma Gêmea e Viver a Vida que o canal Viva teve de buscar cópias alternativas para exibição...
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| O pouco que restou de Chico City, inclusive Rogério Cardoso como o Grande Gazoo, só passou uma vez no Viva... |
A pesquisa traça a trajetória do programa da Globo que se tornou o principal marco do resgate da memória televisiva, o “Vidio Xô”, que estreou em 20 de março de 1983, apresentado pela atriz Tássia Camargo, a própria, que pronunciou a frase usada no título da monografia, “o vídeo é uma fantástica máquina do tempo”, uma criação do diretor geral Ronaldo Curi, saudado por um dos entrevistados, que atuou no Arquivo de VT da Globo, Edson Pimentel, como “um dos precursores dessa iniciativa fantástica de usar o acervo da Globo, não só do jornalismo, como também da produção”, ou como resumiu um texto do jornal O Globo, “O esquema de ‘Vídio Xô’ é simples: cada domingo, serão mostrados números musicais, lances esportivos, cenas e sequências que, ao longo dos 33 anos da televisão, merecem ser relembrados... Desde uma cena de novela, uma grande piada ou um gol decisivo... Além disso, toda semana o programa vai dedicar um bloco a um convidado especial, o qual, entrevistado por Tássia Camargo, escolherá as cenas que mais o emocionaram”, o primeiro dele, o então jogador do Menguinho e futuro comentarista Leovegildo Junior, o Capacete... O trabalho descreve algumas cenas mostradas na primeira edição: “Elba Ramalho e Paulo Silvino, interpretando Amor Com Café; Marcos Valle performando os temas dos personagens da Vila Sésamo, Garibaldo e Funga-Funga; e os vitoriosos do V Festival Internacional da Canção (1970): o 2º lugar de Ivan Lins com ‘O Amor é Meu País’, e o 1º lugar, com Tony Tornado e Trio Ternura na performance de ‘BR-3’”... O diretor geral o diretor tinha grandes ambições quanto a nova atração, conforme recordou sua esposa Eleonora Curi, “Lembro que ele chegou depois de uns tempos para mim, e disse assim: ‘Bem, estão tirando os programas que eu estou fazendo... Então, agora eu vou fazer um que eles não vão conseguir tirar’... E fez o ‘Vidio Xô’... Ele fez um programa totalmente diferente”... Para cumprir essa missão, o programa contava com uma pequena equipe de produção, que se desdobrava na pesquisa, redação e edição das matérias, a qual se integrou em 1984 o jovem redator Ricardo Xavier, mais conhecido como Rixa, o próprio, “Eu tinha uma memória boa até aquele ponto que eu tinha vivido... Eu tinha vivido intensamente a televisão, era a minha babá eletrônica. Lembrava dos festivais, dos programas de humor, sabia nomes dos artistas do elenco... Então isso ajudou demais”... Além de ser introduzido no manuseio da ilha de edição U-Matic, começou a incursionar pelos arquivos globais, corrigindo alguns erros, como o nome do programa Viva Marília, que estava catalogado como Vila Marília, e às vezes se frustrando com as ausências do acervo, “O balde de água fria já foi de cara, ‘nem tudo tem’... Lembro que Estúpido Cupido me chocou, porque é uma novela muito simpática que eu queria rever cenas e situações... Fiquei chocado, achava que era uma novela de sucesso, emblemática... Deve ter sido reprisada... Mas fiquei chocado, eu não entendia, nenhuma novela ser apagada, mas quando você fica sabendo que uma novela como essa foi apagada, então qualquer uma pode ser”... Então é por isso que a própria equipe do “Vidio Xô” começa a montar o próprio arquivo, em fitas U-Matic, processo recordado por Rixa, que levou a produção das mídias conhecidas como “Carvalhinhos”, pois a tarefa era supervisionada pelo assistente de produção Ronaldo Carvalho, “Aquilo por um lado foi muito bom, porque nós, sem querer, acabamos salvando muita coisa que a Globo viria a destruir (...) Existia uma ilha de cópia, onde fazíamos umas cópias, para a gente mesmo, em U-Matic, ou de trechos de cenas para usar no programa (,,,) Vou voltar lá no início, quando começou esse arquivo paralelo... O Ronaldo Curi tinha um modo muito peculiar de trabalhar... Como ele editava as coisas, ele fazia tudo... Ele dirigia a cabeça do apresentador, fazia o espelho, palpitava matéria, ele pedia… A gente não tinha equipamento... Não tinha equipamento para gravar uma matéria externa... Tinha que solicitar uma unidade portátil para gravar alguma matéria na rua... Ele fazia isso tudo... Uma insanidade!!!... E ele mandava copiar programas de Quadruplex para U-Matic, para ele poder ter, à mão, na hora em que ele precisasse... Ele nem sempre sabia o que ia ser o programa da semana, então, ‘eu tenho que fazer um programa de 50 minutos, 1 hora’, toda semana, era no domingo quando começou... E ‘eu não sei o que eu vou fazer’... Então, ‘eu vou botar um clipe do Fantástico, eu vou botar o homem na lua’, aí pegava as fitas que ele copiou, botava embaixo do braço para ele ir montar o programa. Começou assim... Quando eu cheguei, um ano depois, eu já começava a dar sugestões para ele... ‘Pô, Ronaldo, eu lembro do Festival Abertura’... Aí, ele: Festival Abertura???’... ‘É, tinha um Festival Abertura... Vamos mostrar o Festival Abertura???’... Aí não tinha no arquivo da Globo... Como não tem???... A gente descobriu que tinha ido para a TV Aratu, na Bahia!!!... Aí entraram em contato com a TV Aratu, trouxeram de volta ou copiaram lá em U-Matic, eu não sei... A gente conseguiu o Festival Abertura inteiro em U-Matic, e ficou na nossa sala... Íamos usando aos poucos, ou ‘Saudade Não Tem Idade’, que era um programa apresentado pelo Ney Latorraca e Djenane Machado (...)... A gente copiou tudo! Acho que eram 20 programas, com esquetes de humor, musicais, convidados especiais, entrevistas, então, também usávamos... ‘Chico City’, eram programas do Chico Anysio em preto e branco, a gente copiou os 20 primeiros, que ainda não tinham sido apagados, depois, foram apagados... Não copiamos os 20 primeiros na sequência, mas eu lembro do 1, 2, 3, 4... Talvez não tenha o 5, mas o 7, o 10, pulando... Então, a gente começou a fazer isso... Eu ia em uma papelaria e comprava cartolinas coloridas... Colocava programas infantis com etiquetas amarelas e escrevia... Os festivais, eu colocava uma lombada azul-escura e escrevia: Festival Internacional da Canção, Festival Abertura, Festival MPB 80... Eu lembro até das cores: laranja era humor; o azul-escuro eram os festivais; verde-claro, verde-água eram musicais e os shows, tipo Saudade Não Tem Idade, Sandra & Miele, Globo de Ouro, coisas assim... Etiqueta azul clara era novela; vermelha era jornalismo. E comprava com o meu dinheiro, para organizar... Eu organizava aquilo e você já via por cor”... Em 1986, o fim do programa TV Mulher e a transferência do diretor Acyr Fonseca para o Vidio Xô, proporcionou uma excelente oportunidade de ampliar o acervo da produção, “Outro programa que a gente conseguiu salvar quase tudo e eu não sei como é que está hoje é o “Elis Especial... A Elis Regina tinha um programa mensal em 1971, se não me engano... Devem ter sido uns 15 programas, aproximadamente... Houve uma época em que esse programa foi reprisado no TV Mulher, trechos desse programa... Então, o TV Mulher ficou com esse acervo do Elis Especial... Esses programas ficaram na produção de lá e o TV Mulher acabou... Olha o perigo!!!... Isso era em telecine, não era videotape... Aí o diretor que era do TV Mulher foi trabalhar no Vídio Xô, essa foi a sorte... Ele trouxe com ele essas películas... A gente transformou em U-Matic na época, tudo... Eu sei que no “Vídeo Show”, já não tinha mais tudo em 2000… Já tinham perdido, iam copiar de U-Matic pra Betacam, nessas transcrições (...) já não era completo... Ele era completo no início, quando o Acyr Fonseca, que era o diretor do TV Mulher, chegou no Vidio Xô... A gente tinha todo o Elis Especial... Depois começou a se perder, mesmo no Vídio Xô... Mas o que se vê hoje por aí, no YouTube, até mesmo se a Globo reprisar no Viva algum dia (...) vai ter vindo graças a essas fitinhas U-Matic que, quando acabou o TV Mulher, mais ou menos… Por causa disso que se salvou esse acervo”... Enquanto isso, visando enquadrar o programa no limitado orçamento da produção, as cabeças em que eram feitas as apresentações das matérias, primeiro com Tássia Camargo, depois em um revezamento do elenco da Globo, deixaram de ter cenário e passaram a ser realizadas usando um efeito de “chroma-key”, com a própria ilha de edição do programa ao fundo, as matérias eram fortemente trabalhadas com os recursos disponíveis, Wladimir Weltman aproveitou filmes sobre Rembrandt e Van Gogh cedidos pelo consulado da Holanda, descobriu no arquivo da Globo imagens do Barão de Itararé e fez uma matéria com frases famosas do humorista, apresentou Augusto dos Anjos como “o primeiro poeta punk do Brasil”, com poesias narradas pela dubladora Sheila Dorfman, traduções de letras das músicas dos clipes mandados pelas gravadoras e as “entrevistas impossíveis”, aproveitando os vídeos de divulgação de filmes produzidos pelos estúdios de Hollywood, um deles criando um diálogo entre Roger Moore, como 007, e Carla Camurati, matéria que tinha um bônus, a participação do dublador do agente secreto na época, Waldyr Santanna, depois a primeira voz brasileira de Homer Simpson... Wladimir também descobriu no acervo da Globo material sobre história do cinema, que levou a mais uma série de matérias, e fez uma recriação da série de aventuras Falcão Negro com os intérpretes dos personagens do Rio e em São Paulo, Gilberto Martinho e José Parisi, e coube a Paulo de Andrade redigir um dos grandes sucessos da fase inicial do programa, a série A História do Rock... Os erros de gravação, secção consagrada com o nome de Falha Nossa, “nosso quadro favorito”, apareceram em 1984, mesmo ano das matérias sobre dublês, em 4 de dezembro, e sobre a produção de efeitos especiais da Globo, em 23 de dezembro esta conduzida por Myriam Rios, havia uma dificuldade para gravar reportagens em externa, porque o “Vídio Xô” não dispunha de uma Unidade Portátil (UP) própria, então é por isso que a primeira matéria sobre os bastidores da gravação de uma novela, sobre A Gata Comeu, apareceu somente em 28 de abril de 1985, claro que as novelas compareceram antes em matérias feitas a partir da pesquisa em arquivos, entre elas “Montagem: Lima Duarte e seus personagens conversam entre si (22 de abril de 1984); Os truques das novelas (24 de junho 1984); Nossas novelas na era do cinema mudo: uma engraçada adaptação de novelas da época, como Transas e Caretas, ao ritmo das primeiras produções para o cinema (15 de julho de 1984); Cenas de novelas servem para ilustrar uma valsa (29 de julho de 1984); A abertura de Despedida de Casado, a novela censurada em 1976 (02 de setembro de 1984); Os telefonemas na televisão: uma montagem de cenas de ligações telefônicas em novelas, seriados e humorísticos (30 de setembro de 1984) e A participação das crianças nas novelas brasileiras (07 de outubro de 1984)... Em todas elas já era possível notar o trabalho forte de Rixa e suas listas, descrito por um colega de equipe do Vídio Xô, Bruno Weikersheimer, “O Rixa (...) anotava do ar, criava um tema e ia montando... Por exemplo: pedidos de casamento.... ‘Quer casar comigo???’... Capítulo tal da novela tal… Tempos depois ele me contou que a forma que tinha de pesquisar isso era ir no arquivo morto, ver o capítulo original, o texto, no meio de baratas e tal… Disse que era uma coisa totalmente precária... Até porque ninguém tinha interesse por memória… A memória da Globo, nessa época, no meio dos anos 1980 até o final dos anos 1990, era só para botar uma novela no “Vale a Pena Ver de Novo”, ou em uma reprise do “TV Mulher”, ou em uma reprise das dez da noite... Só servia para isso reaproveitar uma novela... Se a novela tinha sido um fiasco, a novela era fadada a nunca mais ser reprisada em nenhum lugar... O “Vídio Xô” é que traz essa importância, com o olhar de alguns noveleiros como o Rixa, na verdade (...) Era o olhar do Rixa, ele tinha esse olhar específico, de olhar aquele material de novela e poder reaproveitá-lo... O Rixa salvou muita coisa da TV brasileira (...) porque ele tinha esse olhar sobre a programação, sobre o que estava sendo produzido”... O próprio Rixa, que lançou duas edições do livro Almanaque da TV, relata como eram elaboradas as listas, muitas vezes feitas a partir de anotações em agendas, como foi mostrado no próprio ‘Vidio Xô”, O banco de dados que eu tenho foi muito útil esses anos todos (...) para tudo... Eu ajudava muito nas matérias, (...) ajudava a matéria dos outros, todo mundo me solicitava porque eu já tinha um banco de dados... Na Globo, essa função do ‘logger’, tem no BBB e no esporte... ‘Quantos escanteios teve na partida tal, quantas faltas o time tal cometeu’... Isso aí são pessoas que ficam assistindo e vão ‘inputando’ no computador... E o BBB, mesma coisa: ‘aquela participante espirrou’, ele marca, foi no dia tal, hora tal... No computador, fica, ‘espirro’... ‘Ele caiu na piscina, ele tomou um tombo’... Tudo fica ‘inputado’... Meu sonho é que a programação fosse ‘inputada’... Uma ação em uma cena de novela, um tapa... Aquilo era feito na unha por mim, eu era a única pessoa a fazer isso... Anotava aqui, um tapa, depois teve um desmaio, fulana caiu de um lado, não sei quem empurrou beltrano… (...) tudo isso eu ia anotando... Mas a Globo não, eu é que anotava (...) Cada roteirista tinha seu método, e o meu método era esse... Se você vai ver no Vídio Xô uma montagem de 30 pessoas desmaiando, é porque eu anotei esses 30 desmaios... Era pra isso, o motivo era esse... A Globo deveria fazer isso com a programação toda... Não tinha a facilidade que o esporte e o BBB tem, de acessar pelo computador, de uma maneira instantânea em que a cena já vem... Você quer aquela cena que aconteceu no BBB???... Todas as vezes que teve barraco envolvendo não sei quem???... Está aqui, puxou tudo de uma vez... Isso, no meu caso, não teria, porque teriam que me perguntar... ‘Olha, Rixa, nós queremos cenas de não sei o que lá’, ‘peraí, vou abrir a minha lista’... Aí pede cada fita, aí roda a fita, acha a cena, copia a cena”... Em 1987, o programa começa a ser exibido aos sábados, com direção de núcleo de Luiz Gleiser, direção geral de Cacá Silveira e apresentação de Marcelo Tas, o próprio, que fazia o personagem Cabeça Branca, “recepcionado” por uma matéria escrita por Rixa e dirigida por Paulo de Andrade, “’Você sabe onde fica a TV Globo???’ (...) e a pessoa informa ele, e ele vai interagindo com arquivos, até chegar na TV Globo, como se fosse uma aventura chegar até a TV Globo... Hoje em dia a gente faria muito melhor, mas para época, você tem que pensar, 1987, aquilo era muito original, na época (...) ele está chegando na Globo atravessando arquivos (...) fugindo de tiros, de tiroteio, de perseguição (...) Até entrar no estúdio”... O diretor Cacá Silveira e sua equipe aos poucos venciam as resistências a produção de matérias sobre gravações de novelas e programas, “Isso aproximava o artista do público e o público do artista, era muito legal... Só que era uma luta, eu fiquei quase seis meses para colocar no ar um making de uma novela das seis, direção do Jayme Monjardim, ‘Direito de Amar’... Chovia pra caramba, e eu fui fazer. Mas fiquei seis meses para colocar no ar, porque achavam que estava revelando tudo... No fim, não revela nada… e o Jayme me cobrava: ‘Cacá, e aquela matéria???’... Porque aquilo era ótimo para o produto!!!... Era mais uma chamada, divulgação... Disseram para esquecer, mas depois de um tempo, a novela já no ar e acho que no final, conseguimos... Era assim, ‘não, coloca depois da novela’... Mas aí não adianta... Até a direção da emissora entender, foi muito difícil”, de todo modo, o diretor foi em frente e um de seus trabalhos preferidos foi acompanhar as gravações do Cassino do Chacrinha, matéria mostrada em 15 de setembro de 1987... Já a exibição do ‘making of’ das aberturas da Globo foi facilitado por Hans Donner, o próprio responsável pela produção das vinhetas, ‘O Hans gostava muito do Vídio Xô... Então, ele próprio já gravava... Depois que ia ao ar, tudo bem, não tinha problema.... Mas era óbvio que a gente não iria mostrar antes dele editar a abertura e colocar no programa... Ele, por exemplo, gravou Tieta, Fantástico, Ti Ti Ti para nós... E algumas, várias outras... Então, o departamento do Hans já fazia isso, ele fazia o material porque gostava disso e gostava do Vidio Xô... Achava que era bom, valorizava o trabalho da equipe dele... Depois, ‘estreou o programa, olhe como é que foi feito’... Os roteiristas faziam aquilo virar ouro… Fazíamos entrevistas com ele, ou com alguém que trabalhou... O complemento era esse”... Marcelo Tas é substituído por Miguel Falabella em 1 de agosto de 1987, indicado por Daniel Filho, e o programa tem um hiato a partir de 12 de setembro, com a transmissão da Copa União, voltando apenas em 3 de abril de 1988, novamente aos domingos, com o ‘quiz’ Telemania, o Pergunte Ao Seu Astro e o famoso quadro de entrevistas Tricotando com o Falabella... A atração retorna aos domingos em 1989, introduzindo a Agenda e outro quadro icônico, o Feliz Aniversário, defendido ardorosamente por Silveira, “Você quer ver uma das coisas que as pessoas adoravam???... Aniversário do ator!!! Olha, que bobagem!!!... O dia em que acabou, as pessoas, ‘por que que acabou com os aniversários???’... Uma coisa tão boba, mas é aproximar... O telespectador quer saber o dia em que o artista vai fazer aniversário... Ponto... É só para saber.... Você aproxima o público da televisão”, e o ano é concluído com uma retrospectiva da década de 1990 exibida entre outubro e dezembro... Novamente no sábado em 1990, o programa é apresentado em horário nobre pela primeira vez na noite de 31 de dezembro, um especial apresentado por Falabella sobre os 25 anos da Globo, que o redator Marcelo Godoy acreditou ter origem no pedido do diretor Daniel Filho de um “videolaser’ sobre a história da emissora, apesar de que, fato não mencionado na pesquisa, os vídeos desse programa foram apresentados primeiro no programa 40 Anos de TV, da Cultura, no dia 17 de setembro, em um especial onde todas as emissoras contribuíram com vídeos sobre suas respectivas trajetórias... No dia 13 de abril de 1991 estreou o quadro que virou sinônimo de Vídio Xô, o Túnel do Tempo, com fatos acontecidos 15 anos antes, em 13 de abril de 1976, criado por Marcelo Godoy e Rixa, que assim define sua criação, “Eu sei que o bordão fui eu que criei: ‘direto do Túnel do Tempo’ (...)... ‘há 15 anos, direto do Túnel do Tempo’, que até hoje falam... ‘Túnel do Tempo’ é inspirado, o título do quadro, é inspirado na série americana, de viagem no tempo, mas o bordão eu criei... E eu tenho uma lembrança tão fofa dessa história, que é assim: a Cissa Guimarães, ela gravava os textos off desse quadro... E ela teve o filhinho dela, o Rafael, o que morreu, e ele era muito pequenininho, (...) ele ia lá com ela... Ela levava ele para a gravação (...)... Eu entrava na cabine de som com ela e o garotinho vinha junto, e ela ia lendo... Eu só corrigia alguma coisa de pronúncia, uma coisa assim (...) o garotinho se acostumou com ela gravando, e quando chegava no trecho do ‘Túnel do Tempo’, e ela falava ‘há 10 anos’, ele repetia baixinho, assim, baixinho não, só movimentando o lábio: ‘direto do túnel do tempo’... Ele não falava porque sabia que atrapalhava a gravação, mas ele fazia o movimento labial… ‘Direto do túnel do tempo’… Nunca esqueço... Nunca esqueci disso”, a redatora Beatriz Coelho Silva lembra da contribuição inestimável ao quadro do produtor Carlos Coutinho, “A gente brincava com ele que ele tinha mais tempo de Globo que o Roberto Marinho (...) O Carlos Coutinho conhecia o arquivo da TV Globo acho que melhor que o Roberto Marinho... Porque a gente falava: ‘quero aquela novela em que o cara fala isso’... Ele chegava com o capítulo!!!”, para produzir este e outros quadros, era necessário cumprir um longo percurso nas dependências da TV Globo, localizadas na região do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, como descreve o autor do trabalho, com base nos depoimentos de Marcelo Godoy e Cacá Silveira, “o Vídio Xô ficava em uma esquina da Rua Lopes Quintas, e o prédio principal da Globo, Vênus Platinada a uns 400 metros, uma pequena ladeirinha até a Lopes Quintas, e Coutinho subia e descia a Lopes Quintas umas quatro, cinco vezes por dia, com fita debaixo do braço, para fazer as cópias, em U-Matic, do conteúdo que seria usado no programa”, e Beatriz Coelho Silva lembra que “por muitas vezes, foi necessário ilustrar as recordações do Túnel com fotos, uma vez que já era constatada a inexistência de registros em vídeo da programação da emissora”, num esforço para não deixar passar em branco datas importantes... Toda a pesquisa era feita manualmente, em dezembro de 1992, com Rixa no lugar de Godoy como redator final, Mauro Alencar começa como pesquisador do programa, depois de mandar uma carta apontando que a abertura de Escrava Isaura mostrada no Festival 25 Anos, em 1990, não era a mesma da exibição original de 1976, o primeiro computador chega à redação em 1993, e a primeira tarefa foi a montagem de um banco de dados com o conteúdo de todos os programas apresentados desde a estreia, de início semanalmente, e a partir da edição de número 500, em 11 de abril de 1994, de segunda à sexta, depois do Jornal Hoje e Antes do Vale a Pena Ver de Novo, momento em que a ideia pensada por Daniel Filho de fazer um Entertainment Tonight à brasileira virou um reforço da lenda do “Fora Vídio Xô!!!”, repetido pelo diretor Dênis Carvalho, como disse Rixa, “Nunca chegou nem perto do Entertainment Tonight, (...) que falava de qualquer assunto do show biz, e de qualquer canal concorrente... E (...) no Brasil sempre teve esse problema de falar, digamos, ‘o Jô Soares vai estrear no SBT’... A Globo vai dar essa notícia???... Não vai dar... Então, é esse tipo de coisa, nós nunca vamos ser Entertainment Tonight... Porque é um jornalismo de show biz (...)... Eu sabia que não ia dar certo... Já houve várias sugestões, inclusive do Bofão, (...) uma vez criou o ‘Troféu Vídio Xô’, que ia ser entregue, semanalmente, a um destaque do Brasil, ‘não precisa ser nem da área de televisão’... Acabou sendo sempre da televisão, não tem jeito... Falavam ‘não, você pode destacar sim, a entrevista que o Jô deu no SBT’... ‘Olha, a entrevista que o Jô deu no SBT foi o destaque... Vamos botar, então???’... ‘É… não’... Quando chega a hora, a hora do vamos ver, não. [...] O fato é que a gente não conseguia. (...) Na época, eu fui contra o ‘Vídio Xô’ se tornar diário porque, o que que o ‘Vídio Xô é, para mim???... (...) Ele é bastidores da televisão, história da televisão, Falha Nossa, essas coisas... Ele é isso... Você tornar isso diário, eu acho que é saturar... Ia dar um caráter jornalístico que a gente não tinha. (...) O ‘Vídio Xô’ cobre bastidores.... Antônio Fagundes vai fazer um maestro no Você Decide... ‘Que legal, vamos fazer um VT, cobrir os bastidores dele regendo uma orquestra’... Isso é legal... Mas o próximo episódio do Você Decide não vai ser legal, vai ser bem corriqueiro, desinteressante, (...), e a gente tinha que todo episódio do Você Decide estar lá (...)... O elenco falava ‘ah meu Deus, o Vídio Xô aqui de novo!!!’... E aconteceu exatamente isso, a gente virou chato, porque enchia o saco de diretor... A gente era expulso do set, do cenário, do estúdio... Era expulso porque atrapalhava... Era todo dia ‘Vídeo Show’ nos bastidores para botar uma hora de programa no ar, todos os dias... Então a gente continuou dependendo muito de arquivo, e saturou... Ou seja, saturava de bastidor e saturava de arquivo... Ninguém aguentava mais o ‘Vídio Xô’... Acho que foi um erro... Enquanto você tem um programa semanal, você tem um critério mais exigente... ‘Vamos cobrir… essa semana vale a pena ir aos bastidores do Você Decide???”... “Não”... Ah, ‘essa semana vai explodir um carro na novela das seis’... ‘Explodir um carro é legal, vamos ver isso aí’... Aí você já começa a ter um programa com todas as atrações sendo interessantes... Você consegue fazer uma hora de coisas interessantes dos bastidores da Globo... Agora, seis horas de coisas interessantes???... Você não consegue... Vai ser ruim... E foi ruim (...) até o “Falha Nossa” caiu de qualidade (...)... Até o final achei que não valia a pena. [...] Era muito trabalho para um programa que não era melhor do que era antes”... De qualquer forma, para enfrentar os desafios de fazer uma atração diária, o programa começou a contar com o trabalho forte nas reportagens de Cissa Guimarães no Rio de Janeiro, e de Renata Ceribelli, a própria, em São Paulo, vinda do programa ViTrine da TV Cultura, onde já enfocava os bastidores da televisão, além dos redatores PH Peixoto e (em 1997) e Richard Kiaw, que apresentaram na Record entre 1992 e 1994 o programa Top TV, “dedicado a filmes, seriados e histórias em quadrinho retrô”, ou seja, tudo da cultura “geek”, que buscaram incorporar às pautas do Vídio Xô... Em 1997, levam Bruno Weikersheimer entra para a equipe de produção como pesquisador, e fica impressionado com o que encontra, “Foi um sonho como realização de trabalho, porque era um ambiente maravilhoso, sensacional... No corredor da sala, tinha um acervo todo que o Rixa tinha feito de cenas que ele ou tinha salvado, ou de cenas que eram muito usadas... Primeiros e últimos capítulos de novela, ou Casos Especiais, outros programas, que ele tinha salvado em U-Matic e que eram muito usados pelo programa ainda, apesar do programa já usar fita Betacam analógica naquela época para gravar as matérias. (...) Quando eu entrei no “Vídio Xô”, tinha isso… Eu via tudo em U-Matic, muita coisa”... As incertezas sobre o destino do Projeto Quadruplex em meio à transição de comando na Globo, de Bofão para Marluce Dias da Silva, em 1997, levaram Bruno a fazer uma listagem das lacunas no Arquivo de VT: “Nessa época em que eu entrei na Globo, a Globo ainda tinha material em Quadruplex, que era 2 polegadas... Eles estavam exatamente, nesse momento, fazendo o Projeto Quadruplex, de passar tudo o que era quadruplex para 1 polegada (...) Justamente a época em que deixou de ser Boni e passou a ser Marluce... Então, estava uma época muito conturbada e eu lembro que as pessoas especulavam que o Projeto Quadruplex iria ser interrompido no meio (...) Assim que eu entrei na Globo, a Ana Claudia falou assim para mim: ‘quando você pesquisar no Cedoc, pesquisa lá e tenta pegar vários capítulos, porque na hora da gente solicitar a fita a gente descobre que um capítulo ou outro não existe mais... E eu pensei “nossa (...) por que que a gente não tem a lista de tudo o que existe e o que não existe, e só pesquisa o que existe???... Porque não faz o menor sentido eu pesquisar o que não existe para depois descobrir que não existe aquilo (...) E foi aí que eu fiz uma primeira lista, assim que eu entrei na Globo, de tudo o que existia e o que não existia na Globo... Fiquei com isso na cabeça, porque eu usava isso o dia inteiro... Eu sabia as novelas que tinham início, meio e fim (...) Um acervo que sempre foi obscuro foi o acervo da Globo Internacional, porque a gente não tinha acesso (...) Na Globo Internacional tem uma novela, Champagne, que eu acho que só existe com o áudio em espanhol ou em italiano, uma coisa assim.... Eu acho que não existe com o áudio em português (...) pelo menos na época em que a gente estava lá, falavam que não tinha o áudio verdadeiro ali. Pode ser que descubram, hoje em dia, com mais técnicas, porque eu acredito que possa existir alguma forma de recuperar o áudio original... Não sei... Mas esse material da Globo Internacional sempre foi obscuro para a gente, a gente nunca teve acesso a esse material... Brilhante é uma novela que tem na Globo Internacional, por exemplo, inteira... Mas eu não sei em que condições... Uma novela que tem na Globo Internacional inteira, isso eu sei porque eu vi antes de sair da Globo: ‘Marina’, novela das seis... Só existe dois do início, dois do meio e 2 do fim, mas na Globo Internacional ela está lá, inteira (...) Eu fiz a lista do que existia e do que não existia, e aí, nesse momento, muita coisa ainda existia, por exemplo: ‘Corpo a Corpo’ original existia ainda, inteira. Outro exemplo: Ti Ti Ti original, existia inteira... Dancin’ Days???... ‘Existia inteira (...) Em 1999, quando o acervo virou Projac oficialmente, que acabou Bonsucesso, eu um dia estou pesquisando as novelas que eu tinha na minha cabeça, por exemplo, Cabocla... Cadê Cabocla???... Sumiu Cabocla... Cadê Ciranda de Pedra???... Sumiu Ciranda de Pedra... Cadê “Plumas e Paetês???... Sumiu Plumas e Paetês... Cadê Ti Ti Ti???... Só sobraram 2 capítulos de Ti Ti Ti... Desespero total... Aí, eu descobri que aquela minha lista original mudou, tinha mudado... Passei a fazer uma nova lista, que ficou praticamente, oficialmente, até hoje a lista é assim... Eventualmente um capítulo ou outro perdido (...) tem um perdido de Transas e Caretas que a gente acha que quem perdeu foi o Vídio Xô, de tanto usar aquele capítulo... É um capítulo importante, em que o robô Alcides chega na história (...) Em 1999, quando surgiu essa nova lista de novelas pós-Quadruplex, e o Projeto Quadruplex já tinha parado, eu falei isso para o Rixa (...) Chegando no acervo, a gente viu umas fitas de U-Matic no chão, escrito Dancin’ Days... Aí, a gente perguntou assim... ‘E essas fitas, são guardadas aonde???’... U-Matic, né???... ‘Não, não, essas fitas não são guardadas... Essas fitas são para jogar fora’ (...) A gente falou assim: ‘Não dá... Não tem o que fazer (...) Não adianta... Vamos salvar o que der para salvar, paciência’... E, com o tempo, então, nem o nosso a gente conseguiu salvar”... Depois de uma breve mudança de horário para o final da tarde, entre 30 de março e 27 de abril de 1998, o Vidiô Xô correu o risco de ser extinto com a chegada a Globo de Ana Maria Braga e a estreia do Mais Você, que aconteceria em outubro de 1999, o diretor Cacá Silveira teve a ideia de colocar a atração como um segmento do novo programa, porém a salvação veio de um movimento surgido na internet, o site “Salvem o Vidiô Xô”, criado pelo telespectador Junior de Souza, causa que a própria produção ajudou a divulgar na mídia, garantindo a permanência do programa, com tempo reduzido para 15 minutos, enquanto o Mais Você era vencido pelo Chaves do SBT no Ibope, momento em que o ator Alexandre Régis, que interpretava um louco em A Praça é Nossa, se caracterizou como Ana Maria Braga, sentou no banco de Carlos Alberto de Nóbrega e disse, “Eu odeio Chaves!!!”, a pressão sobre o Mais Você só foi aliviada quando o programa se mudou para a faixa matutina, em 17 de agosto de 2000, a pretexto do início do horário eleitoral, mesma razão para a saída do ar das reprises de Os Trapalhões, depois inviabilizadas pela classificação indicativa do Ministério da Justiça, implantada em setembro... Ainda em 2000, Cacá Silveira deu lugar a Angela Sander na direção do programa, e a entrada de Bia Braune na equipe de redatores dá origem às matérias em que um narrador “conversa” com cenas de arquivo, se juntando às “novelinhas” que Rixa produzia a partir de suas listas, aos sábados, com a criação do Vidio Xô Festa, surge o Tele Trívia, um “game-show” feito tanto com a plateia quanto com artistas, também acontece a mudança para o Projac, que segundo o depoimento de Rixa trouxe vantagens e desvantagens, “Nessa fase, em 2000, é a fase que eu mais lembro do nosso acervo, porque ele ficava num porão... Ele já tinha um espaço próprio, conseguiram encontrar um, embora (...) as pessoas perguntavam: ‘Em que módulo você está???... Você está no módulo azul???... No módulo verde???’... ‘Não, a gente não está em módulo nenhum... A gente está na armazenagem operária... Era a parte onde o pessoal ficava martelando, serrando, uma barulhada danada... Ficava numa sala na armazenagem operária, mas tinha esse porão que era bem espaçoso e a gente pôde organizar as fitas”... E a produção sofreu com um descarte de teipes que ficou conhecido jocosamente como “Projeto Caçamba”, com descreveu Rixa, “Uma tragédia... Estava acontecendo o último festival de música que a Globo fez (...), Festival da Música Brasileira, (...) depois de um intervalo longo entre os festivais, em 2000... A Globo tinha conhecimento de que o ‘Vídeo Show’ tinha um espaço no porão de lá, com as fitas, e falou, me passaram isso: ‘não pode haver um arquivo paralelo na Globo’... Nós, a partir daquela data, estaríamos proibidos de manter um arquivo paralelo... E a Globo iria ocupar o nosso porão com a produção do festival... ‘Vamos tirar tudo, e a produção do Festival vai funcionar no porão do Vídio Xô’... Eu estava de férias, pelo menos eu não assisti a cena... Mas as pessoas me falaram que foi uma coisa assim: chegou um caminhão, botaram todas as fitas, U-Matic... Betacam, algumas já eram Betacam, jogaram na caçamba do caminhão e jogaram no lixo... Foi tudo para o lixo... Ali se perdeu coisas, porque, assim… É um paralelo, seriam coisas espelhadas, a mesma coisa: ‘isso aqui que o Vídeo Show tem, a Globo tem’.... E isso não era uma verdade... Tinham coisas já no Vídeo Show que não tinha mais no arquivo da Globo... E se perdeu, Globo de Ouro pra caramba, Chacrinha pra caramba, Chico Anysio… Um desastre... Foi pro lixo... Principalmente o Chico Total, Chico City… Aquilo foi pro lixo... Eles não quiseram saber ‘isso aqui tem um backup???’... Não... Se me perguntassem, eu sabia dizer mais ou menos, alguma coisa, ‘vamos conferir’... Mas não. (...) É culpa do incêndio???... Por um lado, 10% é culpa do incêndio... 90% é culpa de quem não tem interesse em preservar a memória... O que tinha lá, foi para o lixo... Mesmo a gente tendo muita coisa… Uma das coisas que eu mais lembro eram os Globo de Ouro, dos anos 1970... Os primeiros ‘Globo de Ouro’: tinha lá programa 10, programa 15, programa 18… A gente ia copiando aleatoriamente, para ter algumas coisas antigas.,. Aí reprisava Martinho da Villa, Beth Carvalho, Benito di Paula, Roberto Carlos… E, de repente, foi tudo para o lixo... Ou quase tudo... É difícil dizer, também, o que desse arquivo do Vídio Xô ainda, de alguma forma, alguma cópia sobrou em algum lugar, porque o Cedoc também se aproveitava dos salvamentos do ‘Vídeo Show’ aqui e ali... Acho que fiquei um pouco desgostoso, porque entendi que não estava na minha mão... Não posso tentar fazer uma coisa que nem a Globo quer”, e Bruno acrescenta, “A gente tinha na sala todos os programas do “Vídeo Show” do 1 ao 500, que foi toda a fase semanal dele... E esse material se perdeu também, infelizmente... Sobraram pouquíssimos programas (...) Isso anos depois, em 2003 mais ou menos, (...) Jogou fora justamente porque via ‘dropout’, a fita enrolava na máquina… Falta de visão (...) Tinha essa ordem: não podia guardar material na sala... Tinha que ir tudo para o acervo... ‘Mas o acervo não guarda mais U-Matic’... ‘Então não é mais para guardar, é para jogar fora”... Com o fim do Vidio Xô Festa, em 2001, os programas de sábado passam a ser dedicados a especiais temáticos fortemente trabalhados no arquivo, além de edições sobre as novelas que estavam terminando, a essa altura já apoiada por pesquisas no computador ao invés das consultas aos roteiros, que formavam enormes pilhas de papel nas mesas da redação, e nesse mesmo ano, em dezembro, o último bloco da atração passa a ser ocupado pelo Vidio Game, apresentado por Angélica, inspirado no “Show do Milhão” de Silvio Santos, mas enquanto o programa do SBT saiu do ar em 2003, o “Vídio Game” seguiu por dez anos com uma trajetória muito bem-sucedida, tanto que segundo Rixa, a maior audiência da competição foi o elenco de “A Turma do Didi”... Em 2002, Miguel Falabella é substituído por André Marques na apresentação do programa, e com a chegada do diretor Mariozinho Vaz, que implantou a dinâmica do eterno Mocotó “dialogar” com os personagens mostrados nas matérias, conforme Bruno relata, “O Mariozinho quis apostar só no arquivo mesmo, e no que estava dando certo... Eu lembro que em 2003 a gente surfou muito na novela ‘Mulheres Apaixonadas’, eu fiz muita matéria de ‘Mulheres Apaixonadas’... E a gente tinha um retorno muito bom do próprio Manoel Carlos... Como o Manoel Carlos era muito amigo do Mário Lúcio Vaz, ele mandava muitos e-mails para o Mariozinho elogiando as nossas matérias.... Eu lembro de até de uma que a gente fez, que era muito boa, que era ‘botando ciúmes na Heloísa’, que a gente pegava cenas do Marcelo Antony com todas as mulheres da novela, então, ele beijando a Christiane Torloni, ele beijando a Maria Padilha em um ‘Você Decide’, e a Heloísa ia ficando nervosa com aquelas cenas... Lembro dessa matéria, lembro que o Manoel Carlos escreveu.. ‘Mariozinho, o que você fez hoje foi uma das coisas mais geniais da TV brasileira”, isso sem contar as famosas matérias em que André e Angélica trabalhavam forte em versões parodiadas de aberturas e cenas de novelas sem medo de serem “cringe”... Também em 2003 começa a ser produzido o Vidio Xô Retrô, exibido sempre na virada do ano, com forte trabalho de pesquisa e grande repercussão na audiência, o programa de sábado é substituído em 2006 pelo Estrelas, onde Angélica apresenta matérias com celebridades, e em 2009, com a entrada de Bofinho na direção, começam a ser exibidas matérias ao vivo, esquema que havia sido recusado por Cacá Silveira em 1998, e que como aponta o pesquisador com base no depoimento de Rixa, “para entrevistar atores e atrizes durante o horário do programa, atrapalhava-se o cronograma de produção das obras da casa”, então é que por isso que ficou famosa uma entrada ao vivo no “set” de gravação de A Turma do Didi, em maio de 2009, onde Susana Vieira simplesmente tomou o microfone da mão de Geovanna Tominaga e disparou, "Eu não tenho paciência para uma pessoa que está começando", apesar da repórter e atriz atuar na televisão desde 1992, como assistente de palco de Angélica no Clube da Criança, na fase que o programa da Manchete foi gravado em São Paulo... O “Vidio Xô” começa a ser reprisado diariamente pelo Canal Viva em 2010, conforme o plano dos criadores do canal de tirarem um pouco o “mofo” da grade de programação, que contava com reapresentações de novelas, séries, minisséries e programa de humor, volta a ser todo gravado previamente em 2011, tem a direção de núcleo assumida por Ricardo Waddington em 2013, quando começam a surgir os primeiros problemas de audiência no horário, que não conseguem ser contornados durante o período em que Zeca Camargo comandou a atração, e Bofinho retorna no final de 2014, retomando os programas ao vivo no ano seguinte com a última grande dupla de apresentadores do Vídio Xô, Mônica Iozzi e Otaviano Costa, mesmo assim, Rixa sentia que o fim estava próximo, “Nos últimos anos, o Vídio Xô era incomodado pela (...)TV Record, (...) ela ganhava do Vídio Xô em São Paulo, e São Paulo é a referência. Não adianta você ganhar no Rio de Janeiro se você perder em São Paulo... Vão dizer: ‘aumenta, (...) porque está perdendo em São Paulo’... A gente ganhava no Acre, na Bahia, no Rio Grande do Sul, só ganhava... Mas está perdendo em São Paulo, está perdendo (...) A gente perdia na ‘hora da venenosa’... De tempos em tempos, o Vidio Xô fazia uma pesquisa de audiência, (...) todos os programas costumam fazer isso... Uma empresa especializada em pesquisa reúne pessoas em grupos com classes sociais diferentes, idades diferentes, sexo (...)... Eu participei de várias, (...) você vê o grupo, e o grupo não te vê, não sabe qual é o assunto que está sendo o foco... A mediadora vai puxando o assunto com todo mundo (...)... Em um determinado momento, inevitavelmente alguém iria falar de Vídio Xô... ‘Ah, você gosta de TV??? Você gosta de futebol???’... ‘E você???’... ‘E pra se divertir???’, ‘ah, vejo TV’... ‘E o que você gosta de ver na TV???’... ‘Ah, eu gosto do Silvio Santos, eu gosto da novela’... ‘Eu vejo o jornal’... ‘Eu vejo o Vídio Xô’, pronto (...)... ‘E você, o que você acha do Vídio Xô (...), ‘o que você gosta???’, ‘o que você não gosta???’, ‘o que podia melhorar???’, e 100% das pessoas não querem fofoca no Vídio Xô... As pessoas falavam: ‘Você gosta de ver a Venenosa???’... “Ah, eu gosto, eu adoro’... ‘Então, se você gosta de ver a fofoca, porque que você não gosta de ver no Vídeo Show???’... ‘Ah, porque não combina, não tem cara de Globo’... Então é isso, as pessoas querem ver fofoca na Record, e querem ver novela na Globo... Querem ver Vídio Xô na Globo, mas não querem ver fofoca no Vídio Xô... E os artistas da Globo reclamavam também (...)... O fato é que nós não vamos fazer fofoca de verdade [...]. Você vai fazer uma fofoca leve, que nem fofoca é, porque você não vai brigar com o artista contratado (...), então, a gente vai ficar no meio do caminho, vai simplesmente repostar o que ele já postou no Instagram... É o que aconteceu (...). A gente perdia, levava surras. E insistiam nisso de ficar ‘vamos dar um giro no que está acontecendo no Instagram’... a gente virou refém do Instagram (...). Quem gostava do Vídio Xô, está assim: ‘cadê o meu Vídio Xô???’... Você não está ganhando um público novo, mais jovem, porque o objetivo era esse, para a gente alcançar um novo público, e você não está adquirindo um novo público, você está se despedindo do público antigo, do público original... Era muito frustrante... Ao mesmo tempo, era um alívio saber que você não está errado, que todos os públicos, de todos os sexos, de todas as idades, de todas as classes sociais pensavam alinhados com a gente, roteiristas... Nós, roteiristas, acreditávamos que o Vídio Xô era isso o que o público queria (...)... Por um lado, a gente ficava feliz por saber que não estava errado, que o público concordava que o nosso programa era aquilo, mas frustrado porque não adiantava (...)... Em nenhuma mudança do Vídeo Show (...), ‘agora o programa vai ser assim’, nunca vieram: ‘O que você acha???... O que vocês já tentaram???... O que vocês já tentaram e deu certo???... O que vocês já tentaram e deu errado???’... Nunca quiseram a opinião de ninguém do Vídio Xô’”, lembrando que em 1999 o programa tentou entrar no circuito dos “gossips” com as notas do jornalista Alex Lerner, devidamente escritas e marcadas em seu caderninho, no quadro Poucas e Boas... Além da concorrência com a Record, o “Vidio Xô” começou a ter problemas em seu “coração”, as matérias de arquivo, como disse Bruno para o pesquisador, contando sobre seu retorno a produção do programa em 2016, “A gente entrou com um problema sério (...) que foi a questão dos direitos de imagem, o que eu entendo, porque a empresa tinha que recorrer (...), mas esse problema não chegava na gente, então, por exemplo, a gente usava imagem da Tupi a torto e a direito, Mulheres de Areia preto e branco da Tupi, sempre usou. Do nada, ‘não pode mais usar Mulheres de Areia da Tupi porque a Cinemateca, que é a dona das imagens, cobra uma fortuna por meio minuto de Mulheres de Areia... Aí, virou um problema, a gente não podia mais usar... Ou, então, não podia usar, por exemplo, eu tinha revistas minhas, da Amiga, às vezes eu queria fazer uma matéria de recordações, eu queria usar uns takes das fotos das revistas. Tinha que creditar o fotógrafo (...)... O maior problema nosso passou a ser a parte do ECAD, da parte musical. Isso virou o grande problema da televisão de 2016 para cá, porque começaram a cobrar muito alto... Tipo, uma música - eu não sei exatamente, posso estar chutando alto - em um programa, em uma matéria, que a gente use comercialmente, 11 mil reais... Se eu uso em uma matéria, dez músicas, vai custar 11 mil reais... Não tem condição... E é um trechinho da música (...)... Então, clipes, que a gente fazia antes???... A gente passou a usar músicas brancas que eles chamam, que são aquelas músicas que são trilhas gratuitas (...) No Meu Vídeo é um Show da Malu Mader, Anos Rebeldes, a cena final com a música Como Nossos Pais, a cena clássica, ela abre o álbum e ela chora com a música Como Nossos Pais, só que ressonorizaram com uma música qualquer (...) Eu estava no switcher ali, gritei ‘não, a música está errada, não é essa a música!!!’... Nossa, foi um desespero (...) Aí a gente passou a perseguir cenas que não tivessem música ao fundo, para não ter esse problema... Ou, eventualmente, se a gente tinha uma musiquinha lá no fundo, a gente tinha que saber o nome do autor para pagar... Se não soubesse o nome do autor, o nome da música, a gente não podia usar a cena (...)... Cenas fortes não puderam mais usar. Cenas fortes de beijo, de sexo (...)... Tinha que tomar cuidado com todas essas... Qualquer imagem, se a cena era um pouquinho forte… então tem que tomar cuidado com tudo... Principalmente, por exemplo, um grande quadro que sofreu muito com isso foi o Vale a Pena Rir de Novo, porque era muito difícil escolher uma esquete d’ Os Trapalhões, ou da TV Pirata, porque tudo mexia com o politicamente correto... Tudo a gente tinha que reeditar... Eu era totalmente contra, resistente (...) entendo a necessidade de reeditar, mas revolta porque a gente está mexendo com o real do passado... A reedição, por mais que dê um sentido para os dias de hoje, você está mexendo com o real, então, passa-se a ser a realidade a de hoje, e não aquela do passado... E aí você não fica sabendo qual que é a verdade, e qual é a que não é... Qual que foi exibida e qual que não foi, você não sabe”... Ainda assim, o material do acervo global foi o protagonista de dois quadros importantes do último ano de programa, o Meu Vídeo é Xô, feito ao vivo, que apostava em momentos pouco lembrados da trajetória dos artistas convidados, e o Memória Nacional, com narração de Miguel Falabella, seguindo a mesma receita, fortemente trabalhado nos programas do Caso Especial, se valendo do fato que os unitários, descritos como “dramaturgia em linha de shows”, a versão global dos teleteatros dos primórdios da televisão brasileira, sejam talvez o item mais preservado no acervo da Globo, inclusive no caso do Comédia Especial, uma derivação surgida em 1972, todos os dez programas, gravados em preto-e-branco, estão preservados, inclusive Somos Todos do Jardim de Infância, de Domingos Oliveira, que ganharia um ‘’remake”, apresentado em 1 de janeiro de 1992, repetindo parte do elenco (Antônio Pedro, Marcos Paulo, Paulo José) e usando cenas da versão original como “flashbacks”... O Vidio Xô chegou ao fim em 11 de janeiro de 2019; antes, em 29 de dezembro de 2017, a atração deixou de reprisada pelo canal Viva na faixa noturna, alguns meses depois, em 28 de abril de 2018, também deixava de ser exibido o Estrelas aos sábados, enquanto o Viva reapresentou, até o fim do ano, as duas primeiras temporadas da atração, de 2006 e 2007... O último Vidio Xô foi apresentado por Joaquim Lopes e Sophia Abrahão, trouxe depoimentos de integrantes do ‘cast’ do programa, inclusive o humorista Carioca, sim, o resultado estava ficando mais difícil e terminou com um monólogo de Miguel Falabella, o nome Vidio Xô passaria a ser usado muito esporadicamente em matérias sobre bastidores de gravações, e em 2021, quando o diretor Bofinho precisou potencializar o êxito da temporada do BBB vencida por Juliette, criou na faixa ocupada pelo programa no início da tarde, o Plantão BBB, entre 5 de abril e 4 de maio, para mostrar cenas do “reality” e repercutir os acontecimentos da casa com convidados, tudo isso apresentado por Ana Clara Lima, a ex-BBB que foi uma das últimas apresentadoras do Vídio Xô... O fim do programa também levou a equipe a procurar os profissionais do setor de arquivo da Globo para resguardar o material de trabalho do programa, que levou a uma iniciativa conhecida como Projeto Vidio Xô, descrito na dissertação de mestrado de uma das pesquisadoras envolvidas, Daniela Pinheiro da Silva, que descreveu o acervo a parir do depoimento de Antonio Celso, pesquisador-chefe do programa, “A coleção de mídias de trabalho do ‘Vídeo Show” era até então paralela ao Acervo da empresa, constituída inicialmente devido à dificuldade de acesso rápido aos capítulos das novelas quando a equipe assim precisasse, ou à recorrência de uso de cenas de alguns produtos específicos (...)... Um bom exemplo desta modalidade é Capítulo 3 da novela Estúpido Cupido, que só o Vídio Xô tinha, pois o capítulo exibido em si fora perdido21 (...) Funcionários da origem do programa explicam que o assistente de produção que começou a fazer estas cópias chamava-se Marcelo Carvalho e daí o apelido das mídias de ‘Carvalhinhos’... Ele surgiu e não mais foi abandonado... Além destas cópias de capítulos ou programas na integralidade, também eram guardados os brutos de quadros que apresentavam materiais preciosos como entrevistas com importantes figuras do cenário dramatúrgico brasileiro e erros de gravação ou informações de bastidores de gravações de programas”... Dessa forma, foi possível preservar 657 mídias, que incluem os “Carvalhinhos”, selecionados por “análise do estado, preciosidade, além de não ter disponível de outra forma ou somente em beta econteúdo relevante”, Quadros do Programa, especialmente com material bruto não redundante em relação ao acervo de programas, e Matérias Editadas, “as compilações de cenas temáticas, por exemplo, cenas de beijo, de soco, etc.) também são acervadas, especialmente se apresentarem novelas mais antigas e por estarem com canais separados de áudio”, e a pesquisa conclui o relato sobre o Vidio Xô com uma observação de Bruno Weikersheimer, de que o capítulo de Estúpido Cupido existente no arquivo do programa não era o terceiro, “sino” o segundo, que a propósito foi um dos primeiros a ser disponibilizado pelo Projeto Fragmentos da Globoplay, junto com outros cinco capítulos remanescentes dos 160 originais, em janeiro de 2024...
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| Em 1999, Miguel Falabella revelou que a produção do Vídio Xô ainda não possuía um endereço de email próprio... |
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